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Elmano confirma instalação de usina de dessalinização na Praia do Futuro

Foto: Reprodução/Redes Sociais/Elmano de Freitas

O governador Elmano de Freitas (PT) confirmou que a usina de dessalinização da água do mar será instalada na Praia do Futuro, em Fortaleza, próximo ao hub de cabos submarinos de fibra óptica. Nos últimos dias, o setor de telecomunicações se posicionou contra a construção da usina no local devido ao suposto risco aos cabos. “Vamos daqui a pouco iniciar o investimento com parceria com a iniciativa privada”, disse o governador durante encontro de empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), nesta sexta-feira, 29. O evento contou com a presença do vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), além de outras autoridades.

Após o evento, ao defender a importância da obra para garantia hídrica do Ceará, o governador destacou que a instalação seguirá critérios técnicos. “Fizemos vários estudos técnicos, há uma regulamentação internacional entre a distância mínima que deve haver entre a usina e os cabos. Então, estamos muito acima do que é previsto de regulamentação internacional e passamos mais de um ano fazendo pesquisas”, disse. “Todos os pesquisadores apontam que onde a usina está colocada não há risco nenhum para os cabos”.

Em agenda na segunda-feira, 25, em Fortaleza, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, do União Brasil, reforçou a tensão entre o setor de telecomunicações e Governo do Estado por conta da construção da usina. As empresas do setor tentam barrar a obra, alegando riscos aos cabos submarinos que transferem dados entre o Brasil e o mundo. “Quero falar desse assunto que fez com que a gente estivesse aqui, que é essa infraestrutura importante para todo o setor de telecomunicações do Brasil. Os cabos ópticos submarinos são responsáveis por 99% do tráfego de dados internacionais e pela conectividade global do nosso país. Isso nos traz uma preocupação para que a gente possa preservar e manter (a estrutura), de forma segura e estável, no nosso Ceará”, disse o ministro.

“Qualquer situação que gere impacto deve ser profundamente discutida, analisada e avaliada para que busquemos construir juntos, por meio do diálogo, o melhor caminho para a preservação desse hub internacional que é Fortaleza. Estaremos juntos, com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e com todas as entidades do setor, discutindo formas de construir um ambiente seguro, sem nenhum tipo de impacto nas infraestruturas.”

Ainda conforme Filho, há previsão de chegada de novos cabos nos próximos anos, mas, para isso, seria necessário “preservar e construir um ambiente seguro para que possamos avançar e garantir a segurança desse tráfego e desses cabos” em Fortaleza. O ministro afirmou ainda que chegam em Fortaleza 17 sistemas ópticos com capacidade agregada de centenas de terabits por segundo. “A Praia do Futuro representa o segundo hub internacional de cabos ópticos”, destacou. Os cabos submarinos ancorados na costa brasileira também viabilizam a interconexão de qualquer sistema de telecomunicações e internet da América Latina com os demais continentes do mundo.

CAGECE

Ao OPINIÃO CE, Companhia de Água e Esgoto do Estado do Ceará (Cagece) explicou a localização escolhida para a instalação da usina permite um menor valor de investimento e custeio, devido à proximidade com os reservatórios da Cagece. Além disso, a qualidade da água da Praia do Futuro e a disposição das correntes marinhas são fatores favoráveis para a localização do equipamento. Segundo a Companhia, quanto mais distante do ponto atual da obra, mais alto seria o valor de investimento com as adutoras para levar a água aos reservatórios da empresa.

A Cagece diz que em 2022 já foi realizada uma mudança de 500 metros do ponto de captação para atender uma solicitação em relação ao cabeamento submarino. “Somente com essa modificação já teremos um aumento nos investimentos na ordem de R$ 35 milhões a R$ 40 milhões. Cabe destacar que essa alteração já atende às regulações internacionais de proteção dos cabos submarinos, encerrando, assim, essa temática e aumentando a margem de segurança do projeto“, afirma.