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13 de junho de 2024

Eles não têm esquina

Irritados com pertencimento da esquina, os bolsonaristas com suas motos e carros de som cruzaram as avenidas, invadindo-as repetidamente. Um cara com um copo de bebida alcoólica na mão sai do carro e discute com manifestantes.

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O presidente eleito no pleito de 2022, Lula, nasceu no dia 27 de outubro de 1945. Na quinta, dia 27, a turma do PT concentrou-se na esquina mais democrática da Cidade em comemoração a seu aniversário: nas avenidas que homenageiam Guilherme Studart, Barão de Studart e Ruy Barbosa. Marquei presença. Com o olhar de historiador, professor, jornalista, fiquei a observar a chegada e a movimentação de uma tal classe média que só se dilui e desaparece na pirâmide social.

Nesse embate e tensão da política pensei ‘Tenho que escrever alguma coisa sobre isso tudo, mas preciso de um tema.’ Eu, como nunca tive medo de participar e de estar nas ruas da cidade, encontrei o meu tema no local, ao observar os manifestantes e as suas manobras – cada vez que o sinal fechava, eles ocupavam a esquina e liberavam a outra sem precisarem de um líder sindical, um guarda de trânsito ou um maestro – tudo naturalmente, sem tumulto e cantando a canção, “Sem Medo de Ser Feliz”: “Lula lá, brilha uma estrela/ Lula lá, cresce a esperança/Pra fazer brilhar nossa estrela.” Lembrei-me dos mestres Belchior e Petrúcio Maia e a canção, “Incêndio”: “Estou aqui, parado olhando o incêndio.”

No sábado, véspera da eleição, lá estava eu na esquina outra vez. Irritados com pertencimento da esquina, os bolsonaristas com suas motos e carros de som cruzaram as avenidas, invadindo-as repetidamente. Um cara com um copo de bebida alcoólica na mão sai do carro e discute com manifestantes. Lembrei que a Praça Portugal nós já retomamos. Então, eles não têm esquina!

Na quinta, acordo e ligo a TV, e mais uma vez fico assustado ao ver pelas bandas do Sudeste e Sul bolsonaristas expondo faixas pedindo intervenção militar, bloqueando avenidas importantes e BRs e em Santa Catarina, apoiadores bolsonaristas enfileirados com os braços e as mãos estendidas fazendo a saudação nazista, no dia anterior.

Cá pra nós, uma verdadeira apologia ao nazismo. E Isso é permitido na Constituição de 1988? Não é crime?

Rose Serafim

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