Os professores das universidades federais no Ceará decidiram encerrar a greve após Assembleia Geral da ADUFC, na manhã desta sexta-feira (21). Entre os representantes da docência da Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Cariri (UFCA) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), foram contabilizados 107 votos a favor do término do movimento grevista contra 58 pela continuidade. Além disso, houveram sete abstenções. A assinatura do acordo com o Governo Federal deve ocorrer até o início de julho, quando será oficializado o fim da greve, que havia sido iniciada em 15 de abril. Apenas após essa etapa haverá a previsão de retorno das aulas.
A decisão dos docentes deverá ser encaminhada ao Comando Nacional de Greve (CNG) do ANDES- Sindicato Nacional, responsável por representar os professores nas negociações com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Com transmissão online para os campi do Interior, a assembleia desta sexta ocorreu nos jardins da reitoria da UFC. Na ocasião, os docentes reconheceram que as propostas do Governo foram limitadas, mas celebraram as conquistas feitas a partir da paralisação, como o “reconhecimento do setor da Educação como uma força social relevante e que precisa ser ouvida e considerada pelos governos”.
A liderança do sindicato, professora Irenísia Oliveira, destacou a evolução das negociações com o Governo Federal feitas desde janeiro deste ano até a última proposta apresentada.
“Tudo que conseguimos, embora insuficiente, foi por causa da greve. A nossa categoria é muito diversa, de realidades muito diversas. É assim que construímos a democracia, sabendo ouvir, modulando as falas, respeitando a fala do outro. Vejo como um momento de grande riqueza”, avaliou a professora Irenísia.
A proposta atual do Governo Federal oferece a elevação do reajuste linear até 2026, de 9,2% para 12,8%. Sem reajustes para esse ano, como era reivindicado pelos professores, as implementações ocorrerão a partir de janeiro de 2025, com 9%, e em maio de 2026, com 3,5%. Outras demandas atendidas pelo governo foi a aglutinação das classes iniciais (A/DI e B1/DII), a retirada do controle de frequência do EBTT, a garantia da progressão e promoção sem prejuízo, desde que solicitado em até seis meses após atendidos os requisitos e reajustes que variam de 13,3% a 31,2%.
“Tivemos ganhos organizacionais, políticos e financeiros. Nós que conquistamos isso, não podemos deixar que outros grupos assumam essa autoria”, destacou a professora Alba Carvalho, do departamento de Ciências Sociais da UFC.
FIM DA GREVE NO IFCE
Na última quarta-feira (19), os docentes e técnicos-administrativos do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Ceará (IFCE) também decidiram pelo encerramento da greve, aceitando a proposta do Governo Federal. A decisão deve ser repassada para o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Brasil, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), nas plenárias. A greve será oficialmente encerrada após a assinatura do termo de acordo entre sindicato e Governo.
