O curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece) chega aos seus 20 anos de existência em 2023 se descentralizando da capital cearense e chegando em mais cidades do interior do Estado. Entre os municípios beneficiados com as novas turmas MedUece, com início previsto para agosto deste ano, estão Quixeramobim (Sertão Central) e Crateús (Sertão de Crateús).
O vestibular está com inscrições abertas até esta segunda-feira, 10, pelo site.
Jocélia Bringel, médica, professora e coordenadora do curso no campus Fortaleza, ressalta a importância da descentralização do curso pelo interior do Estado. “A expansão oferece oportunidades a muitos jovens que desejam ingressar em Medicina. Descentralizar esses cursos facilita a fixação de mais médicos nessas regiões e, consequentemente, melhora o acesso da população aos serviços de saúde. Esses novos profissionais podem criar vínculos com essas regiões. É importante para o desenvolvimento regional, do ponto de vista social e científico”, ressalta a coordenadora.
A ampliação na oferta dos cursos de Medicina também está alinhada a estratégias como a Regionalização da Saúde. Exemplo disso são os hospitais universitários já vinculados à instituição, como o Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, e o Hospital Universitário da Uece, que está sendo construído dentro do Campus do Itaperi, em Fortaleza. Com 93% das obras concluídas, o novo equipamento ocupa uma área de 78,2 mil metros quadrados, com cerca de 650 leitos, entre clínicos e Unidades de Terapia Intensiva (UTI), distribuídos em três torres principais: clínica, cirúrgica e materno-infantil.
FOCO
Iniciado em 2003, o MedUece foi criado com o objetivo de formar médicos com ênfase em medicina comunitária e de família. O primeiro vestibular disponibilizou 40 vagas e contou com 2.540 candidatos inscritos. Foram 39 médicos formados na primeira turma, cuja colação de grau ocorreu em 2009. Até o momento, o curso formou cerca de 600 novos profissionais. Em 2017, o curso obteve a 3ª maior nota no Brasil no Exame Nacional de Desempenho do Ensino Superior (Enade).
O corpo docente é formado por 53 professores, sendo 26 doutores e 27 mestres.
A médica ginecologista e doutora em Ciências Cirúrgicas, Kathiane Lustosa ressalta o período em que estudou na Uece e a emoção do dia da formatura, realizada no Theatro José de Alencar, principalmente por ser escolhida como oradora da primeira turma do MedUece. “Eu escolheria a Uece de novo para me formar como médica. O MedUece formou quem sou hoje. O humanismo nas disciplinas iniciais foram essenciais para minha formação. Os professores ensinaram para gente a verdadeira missão do médico: ser um instrumento de educação em saúde para que o paciente seja partícipe do seu acompanhamento”.
PROJETO PEDAGÓGICO
O novo projeto pedagógico, aprovado pelo Conselho Estadual de Educação (CEE) em 2023, tem carga horária total de 8.764 horas, com 516 créditos, e tempo padrão de integralização, mínimo e máximo, entre seis a nove anos. Funciona presencialmente, disponibilizando semestralmente 40 vagas por meio de vestibular semestral ou transferência (via processo seletivo). Atualmente, 250 alunos estão efetivamente matriculados.
Conforme Jocélia, a reformulação pedagógica teve o intuito de reestruturar a matriz curricular do curso para atender algumas prerrogativas importantes no vínculo entre profissionais e trabalho interdisciplinar, como a integração entre as disciplinas de Atenção à Saúde, Gestão em Saúde e Educação em Saúde, desenvolvendo com isso mais atividades práticas e fomentando a inserção e protagonismo discente.
Além disso, esse modelo de integração disciplinar foi estruturado em cinco eixos: Saúde Coletiva; Cuidados Clínicos; Cuidados Cirúrgicos; Formação do Indivíduo; e Formação de Prática Profissional. Essa mudança no projeto pedagógico possibilita uma formação com o conhecimento contínuo e crescente para que o aluno participe do processo de formação. Um exemplo disso é a ampliação do tempo do estágio supervisionado, o que reforça aos alunos o aprendizado em áreas da Medicina de Família e Comunidade e Urgência e Emergência.
LEGISLAÇÃO
O estado do Ceará conta, desde 2017, com uma lei que instituiu o sistema de cotas nas instituições de ensino superior do Estado. Com isso, cada concurso seletivo para ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50% de suas vagas são para os estudantes que comprovem ter cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas municipais ou estaduais.
MAIS VAGAS
Na última quinta-feira, 6, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT) autorizou a abertura de novas vagas de cursos de medicina em regiões do Brasil onde faltam médicos. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União e conforme o texto, a abertura de vagas deve ser feita por meio de chamamentos públicos que priorizem regiões com menor relação de vagas e médicos por habitante.
Desde 2018 que a abertura de novas vagas de medicina estava proibida. Na ocasião, o Ministério da Educação (MEC) disse que o objetivo era controlar a qualidade dos novos cursos no País. A nova medida define ainda que os chamamentos dos profissionais devem considerar a relevância e a necessidade social da oferta de cursos de medicina e a existência de equipamentos públicos adequados, suficientes e de qualidade.
