Menu

Economia cresce 0,7% em maio, mas perde força no acumulado de 12 meses

Monitor do PIB mostra avanço mensal e alta de 1,9% no trimestre, enquanto consumo das famílias sustenta resultado e investimentos recuam
As exportações da indústria extrativa mineral registram crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A economia brasileira cresceu 0,7% na passagem de abril para maio. No trimestre móvel terminado em maio, a alta chegou a 1,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Com esse desempenho, a variação positiva acumulada em 12 meses ficou em 1,7%.

Os dados integram o Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (20).

A pesquisa estima o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que reúne todos os bens e serviços produzidos no País, com base em dados da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária.

O resultado de maio retomou a trajetória positiva na comparação entre meses consecutivos, depois de uma retração em abril e de estabilidade em março.

Confira o comportamento do ano mês a mês:

Maio: 0,7%
Abril: -0,1%
Março: 0%
Fevereiro: 0,5%
Janeiro: 0,7%

DESACELERAÇÃO

Apesar da retomada em maio, o indicador acumulado em 12 meses, de 1,7%, aponta perda de força. Em março deste ano, a variação era de 3%. Em maio do ano passado, o índice alcançava 3,8%.

Ao apresentar os resultados, a FGV destacou que o consumo das famílias cresceu 3,3% no trimestre até maio, atingindo o maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, quando avançou 4%.

Desse desempenho, mais de 60% vieram do consumo de serviços e de bens duráveis.

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, destacou que o consumo das famílias foi o principal responsável pelo desempenho positivo da economia.

No entanto, a especialista apontou algumas fragilidades no resultado do PIB brasileiro.

“O crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e, apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano”, explica Juliana Trece.

Para ela, a concentração do crescimento no consumo das famílias revela dependência desse componente, uma vez que as exportações e os investimentos apresentaram quedas.

“Com isso, conclui-se que, embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado”, avalia a especialista.

DESEMPENHO

As exportações cresceram 4,3%, o menor avanço desde o segundo trimestre de 2025, quando a alta foi de 2,1%.

“As exportações da [indústria] extrativa mineral registram crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano, o que explica a redução do crescimento das exportações”, destaca o acompanhamento.

As importações avançaram 8,9%, marcando o terceiro trimestre móvel seguido de alta.

A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o investimento na economia por meio de compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 2% no trimestre móvel. Foi a segunda alta depois de quatro trimestres móveis consecutivos de recuo.

O estudo estima que a taxa de investimento da economia em maio foi de 18,6%, a segunda maior do ano, atrás apenas de fevereiro, quando chegou a 19,2%.

De acordo com a FGV, o PIB acumulado até maio, em valores correntes, é estimado em R$ 5,466 trilhões.

DADOS OFICIAIS

O Monitor do PIB é um dos estudos usados como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira (17), que indicou expansão de 0,1% na passagem de abril para maio e de 1,4% em 12 meses.

O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última divulgação ocorreu no fim de maio e apontou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026.

A próxima divulgação será referente ao segundo trimestre de 2026, no dia 1º de setembro.

PROJEÇÕES

O relatório Focus desta semana, sondagem do Banco Central (BC) com instituições do mercado financeiro, estima que a economia brasileira terminará 2026 com alta de 1,99%.

A previsão do Ministério da Fazenda é de variação de 2,3%.

Com informações da Agência Brasil.