O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, participou nesta segunda-feira (9) da abertura da Feira da Indústria 2026, realizada no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Durante a programação, o dirigente abordou temas estratégicos para o desenvolvimento do setor energético, como a geopolítica da transição energética, a dependência mundial de combustíveis fósseis, as perspectivas para o hidrogênio verde e as oportunidades ligadas à instalação de data centers.
Ao destacar o potencial do Ceará no cenário global de transformação energética, Cavalcante enfatizou que a infraestrutura digital e energética do Estado tem sido decisiva para atrair novos investimentos.
“O volume de data centers deve crescer significativamente aqui no Ceará. O mundo está demandando cada vez mais capacidade de processamento e armazenamento de dados, e nós temos uma grande vantagem competitiva: somos a segunda cidade mais conectada do mundo, com 18 cabos de fibra óptica chegando ao nosso litoral. Além disso, temos energia renovável abundante. Nosso objetivo é que, até 2027, o Nordeste se consolide como o maior produtor de energia do país”, afirmou.
A declaração foi feita durante a palestra “Transição energética e energias renováveis: panorama do mercado de energia”, realizada na Plenária Ilha da Energia e promovida pelo Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE).
Setor energético
O evento contou com a presença de autoridades e lideranças do setor industrial e energético, entre elas o ex-presidente da Fiec, Beto Studart; o presidente do Sindienergia-CE, Luís Carlos Gadelha de Queiroz; o gerente de Desenvolvimento Sustentável da Fiec, Joaquim Rolim; e a CEO da HL Soluções Ambientais, Laiz Hérida.
Durante o encontro, Gadelha destacou o papel do setor energético na economia cearense e a importância da feira para aproximar a sociedade da indústria.
“É uma grande satisfação participar deste evento, especialmente em um momento em que o Sindienergia celebra 25 anos de atuação, reunindo cerca de 90 empresas associadas. A feira contempla toda a cadeia produtiva do setor energético, desde geração e transmissão até armazenamento de energia”, afirmou.
Segundo ele, o segmento responde atualmente por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará e gera mais de 110 mil empregos no Estado.
Feira da Indústria
Considerado um dos maiores eventos do setor industrial do Nordeste, a Feira da Indústria ocupa integralmente o Centro de Eventos do Ceará e reúne cadeias produtivas para apresentar inovações, tecnologias e soluções desenvolvidas pela indústria cearense. A expectativa é de que cerca de 100 mil pessoas participem das atividades durante os dois dias de programação.

Com o tema “A indústria conectada ao seu dia a dia”, o evento reúne representantes de 39 segmentos ligados à Fiec, incluindo setores como moda, energia, alimentos, construção civil, metalmecânica e química.
A programação inclui exposições, palestras, rodadas de negócios e desfiles, com o objetivo de fortalecer a competitividade das empresas e posicionar o Ceará como destino estratégico para novos investimentos.
Durante a abertura do evento, Ricardo Cavalcante destacou que a feira busca apresentar à sociedade a capacidade de inovação e transformação da indústria.
“Indústria não é apenas máquina. É também inovação, design e criatividade e, acima de tudo, humanidade. Por isso escolhemos um novo jeito de apresentar o nosso setor à sociedade”, afirmou.
Segundo ele, a indústria cearense vem se reinventando diante das mudanças tecnológicas e de novos modelos de negócios. “Essa nova indústria, mais tecnológica, eficiente, sustentável e orientada pelo conhecimento é a que queremos apresentar nesta feira”, completou.
Cavalcante também ressaltou que a indústria responde atualmente por 82,6% das exportações do Ceará e mantém cerca de 390 mil empregos formais no Estado.
Incentivos ao setor
Durante a cerimônia de abertura, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, parabenizou a Fiec e os industriais cearenses pela realização do evento e destacou a importância de fortalecer o setor produtivo no país.
O governador Elmano de Freitas (PT) também participou da abertura e defendeu que a indústria seja tratada como prioridade na política de incentivos fiscais do Ceará diante das mudanças provocadas pela reforma tributária. Segundo o governador, o setor industrial é fundamental para a geração de empregos e para o desenvolvimento econômico.
“A indústria é um fator fundamental para a economia e para o nosso povo viver com dignidade”, afirmou.
O Governo do Ceará apoia a realização do evento por meio da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) e do Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
