Inclusão produtiva com acesso orientado ao crédito marca a atuação do Programa de Microcrédito Produtivo do Governo do Estado, o Ceará Credi. A iniciativa já ultrapassou 120 mil empreendedores atendidos e soma cerca de R$ 310 milhões liberados para pequenos negócios em todas as regiões.
O volume de recursos tem impulsionado atividades de comércio, serviços e produção, além de ampliar oportunidades de trabalho e geração de renda. A política pública alcança trabalhadores formais, informais e agricultores familiares.
HISTÓRIAS DE VIDA
A costureira e manicure Michele de Paula Pereira, 48, integra um dos públicos prioritários da ação. Mãe solo de dois filhos e responsável pelo sustento da casa, ela encontrou no programa uma forma de organizar e fortalecer o próprio negócio.
“Sou deficiente, mas não sou aposentada, tudo aqui depende de mim. Não tenho salário fixo, então preciso construir minha renda todos os dias. Antes era mais complicado, porque eu tinha que me programar para consertar as máquinas e comprar materiais. Agora, quando o dinheiro entra, não gasto tudo e deixo uma reserva para momentos de necessidade”, relata.
Desde os 15 anos no trabalho autônomo, Michele participa de um grupo de mulheres que buscou crédito na modalidade coletiva. “Eu sei que é um empréstimo, sei que a gente vai ter que pagar, mas é um valor que não pesa no bolso. Eu falo por mim: pago sem nem sentir”, afirma.
EMPREENDEDORISMO FEMININO
O incentivo ao empreendedorismo feminino figura entre as diretrizes estratégicas do Ceará Credi. Dados do programa apontam que cerca de 90 mil mulheres já foram atendidas, sendo aproximadamente 52% chefes de família.
Segundo a diretora de Economia Popular e Solidária da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Silvana Parente, a prioridade é alcançar mulheres que dependem do próprio negócio para garantir renda.
“O programa prioriza o atendimento às mulheres, especialmente aquelas que são chefes de família e encontram no próprio negócio a principal fonte de renda. Atualmente, cerca de 90 mil mulheres foram atendidas pelo programa, das quais cerca de 52% são chefes de família. Isso demonstra o compromisso do Governo do Estado com a inclusão produtiva e a autonomia financeira feminina”, destaca Silvana Parante.
As mulheres representam mais de 72% do total de beneficiários. O público inclui chefes de família, vítimas de violência, pessoas com deficiência e empreendedoras que não tiveram acesso ao crédito no sistema financeiro tradicional.
DADOS DO PROGRAMA
Entre os financiamentos concedidos, 89% foram destinados ao fortalecimento de negócios já existentes. Outros 11% viabilizaram a abertura de novas atividades econômicas.
Do total de segmentos apoiados, 67% pertencem ao comércio, 22% ao setor de serviços e 8% à indústria, além de outras áreas. As condições facilitadas têm contribuído para ampliar a capacidade de investimento dos pequenos empreendedores.
Para 2026, o programa passa a adotar juro zero nos novos contratos para beneficiários que mantiverem as parcelas em dia. A medida amplia o alcance social da política pública e reforça a estratégia de inclusão econômica.
ESTRUTURAÇÃO
O Ceará Credi é uma iniciativa do Governo do Ceará, coordenada pela Secretaria do Trabalho (SET) e executada pela Adece em parceria com o Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT). A proposta combina crédito produtivo orientado e capacitação empreendedora.
A política busca ampliar oportunidades de renda para microempreendedores, trabalhadores autônomos e agricultores familiares. A estratégia aposta na autonomia financeira como instrumento de transformação social.
