A aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia deve resultar, nos próximos anos, na redução dos preços de diversos produtos importados consumidos no Brasil, como vinhos, azeites, queijos, chocolates e leite em pó. O entendimento entre os dois blocos foi endossado nesta sexta-feira (9) pela maioria dos embaixadores dos países da União Europeia, durante reunião realizada em Bruxelas.
A votação formal no Conselho Europeu também foi confirmada nesta sexta-feira (9). O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e alguns setores empresariais comemoram a conclusão provisória das negociações do acordo de livre comércio.
Mesmo após a assinatura, o pacto ainda precisará passar por ratificação no Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ainda assim, os efeitos da redução tarifária devem chegar de forma gradual aos consumidores brasileiros, à medida que as regras forem implementadas.
As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e o tratado é considerado histórico por criar uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, reunindo mais de 720 milhões de consumidores. Juntas, as economias dos dois blocos somam cerca de US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
Para os países sul-americanos, o acordo amplia o acesso ao mercado europeu, especialmente para produtos agrícolas. Já para a União Europeia, a abertura comercial facilita a entrada de bens manufaturados no mercado do Mercosul, com destaque para o Brasil.
Produtos que devem ficar mais baratos
Entre os itens europeus que tendem a chegar ao Brasil com preços mais baixos estão alimentos e bebidas que atualmente enfrentam tarifas elevadas de importação. O acordo prevê a eliminação gradual desses impostos, em alguns casos dentro de limites de cota. Entre os principais produtos, estão:
- Azeite de oliva: tarifa atual de 10%, com redução gradual até zero
- Vinho: tarifa de 35%, reduzida progressivamente até zero
- Outras bebidas (exceto vinho): tarifas de até 35%, também reduzidas a zero
- Chocolate: tarifa atual de 20%, eliminada de forma gradual
- Queijos: tarifa de 28%, zerada dentro de uma cota anual de 30 mil toneladas
- Leite em pó: tarifa de 28%, zerada até o limite de 10 mil toneladas
- Fórmulas infantis: tarifa de 18%, zerada dentro de uma cota de 5 mil toneladas
A expectativa é que, com a redução das tarifas e o aumento da concorrência, os preços ao consumidor final sejam impactados positivamente, sobretudo em produtos de origem europeia que hoje chegam ao país com forte carga tributária.
