O superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Davi Bontempo, destacou, em entrevista ao Opinião CE durante a COP30, em Belém (PA), que o Ceará e o Nordeste reúnem condições únicas para se tornarem protagonistas na nova economia de baixo carbono.
Segundo ele, o desafio é transformar vantagens comparativas, já consolidadas, em vantagens competitivas, capazes de atrair investimentos, abrir novos mercados e posicionar a região como líder industrial na transição climática. Bontempo explica que inovação, sustentabilidade e competitividade caminham juntas no redesenho da indústria brasileira.
“Nosso objetivo final é ter uma indústria cada vez mais competitiva com sustentabilidade”. Essa visão orienta o trabalho da CNI dentro da SB COP [Sustainable Business COP], iniciativa que articula o setor privado em temas como transição energética, economia circular, bioeconomia, qualificação profissional e finanças sustentáveis.
Segundo ele, o setor industrial já demonstra capacidade de liderança. A agenda da CNI busca identificar soluções que possam ser escaláveis, replicadas no País e, inclusive, transformadas em políticas públicas. “O empresário precisa operar com regras claras e segurança jurídica para ganhar produtividade com competitividade”, reforça.

Nordeste e Ceará: de potencial a vitrine da nova indústria
Questionado sobre a prontidão da indústria nordestina para essa nova economia, Bontempo afirmou que a região não parte do zero, pelo contrário, já possui vantagens estruturais que a posicionam de forma privilegiada, como liderança em energias renováveis, com destaque para solar, eólica, biomassa e expansão da infraestrutura de hidrogênio verde; eficiência energética acima da média, resultado de investimentos contínuos no setor; crescimento da agenda de biocombustíveis, fortalecendo a conexão entre indústria e transição energética; e ambiente favorável à inovação, impulsionado por universidades, hubs tecnológicos e políticas estaduais.
Para Bontempo, essas vantagens precisam agora ser convertidas em competitividade real para que o Nordeste amplie o acesso a mercados e responda às novas demandas dos consumidores e às normas internacionais. “A grande questão é transformar essas vantagens comparativas em competitividade”, resume.
O superintendente destaca ainda que o consumidor global está cada vez mais exigente e que as cadeias produtivas caminham rumo a requisitos rigorosos de transparência climática. O Nordeste, segundo ele, tem a chance de se antecipar e moldar uma indústria com atributos que o mundo já considera obrigatórios.
Transição verde como motor econômico
Bontempo também reforça que a região tem potencial para liderar a transição industrial do Brasil, e que esse movimento pode gerar impacto direto em desenvolvimento econômico, atração de investimentos e inclusão produtiva. “O Nordeste tem uma vantagem comparativa bastante grande”, afirma.
Para a CNI, o momento exige coordenação, planejamento e incentivos que permitam transformar o potencial do Ceará e de toda a região em resultados concretos.

