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Rede elétrica precisa crescer 7% ao ano para atender à irrigação no país, diz estudo

Os dados apontam para a necessidade de melhoria da infraestrutura de energia em atendimento à demanda por irrigação.
Foto: Reprodução/Agência Brasil

Um estudo inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgado na última terça (10), apontou direcionamentos para melhoria da infraestrutura de energia em atendimento à demanda para irrigação, com dados para a região do Nordeste e do Ceará.

De acordo com o estudo “Avaliação da Demanda Energética na Agricultura Irrigada para Apoio na Condução de Políticas Públicas do Planejamento Setorial”, a rede elétrica brasileira precisa crescer entre 5% e 7% ao ano até 2040 para suprir a demanda da agricultura irrigada.

Atualmente, há um déficit de 2,5 gigawatts nos 16 polos irrigados do país, e a projeção é que a demanda chegue a 5 gigawatts nos próximos 20 anos.

O levantamento também indica que, nas regiões com maior concentração de lavouras irrigadas, há baixa qualidade ou ausência de fornecimento de energia elétrica, o que compromete diretamente a produtividade no campo, já que o não suprimento de energia impede o funcionamento dos sistemas de irrigação.

A pesquisa foi realizada pela Universidade Federal de Itajubá (MG), a pedido da CNA, e apresentado durante o 3º Workshop ‘Setor Agropecuário na Gestão da Água’. O objetivo é subsidiar políticas públicas e investimentos em infraestrutura energética rural. Além de avaliar o cenário atual, o documento faz uma projeção da necessidade energética para a agricultura irrigada até 2040.

CENÁRIO NO CEARÁ

Apesar de os estados do Nordeste, em geral, exigirem crescimento acima de 10% ao ano na rede elétrica, o que representa um desafio frente à capacidade operacional das distribuidoras, o Ceará aparece como uma das exceções.

Com uma taxa projetada de crescimento em torno de 7% ao ano, o estado se alinha aos cenários considerados viáveis pelo estudo. O documento recomenda que, em locais como o Ceará, estratégias de priorização territorial e adoção de tecnologias inovadoras podem ajudar a garantir o atendimento energético à irrigação.

FALTA ENERGIA NO CAMPO E POLÍTICAS PARA IRRIGAÇÃO

Dois indicadores desenvolvidos com o estudo, o Índice de Adensamento Rural (IAR) e a Energia Não Suprida (ENS), mostram que a energia disponível no campo é insuficiente. O problema se agrava pela ausência de políticas públicas energéticas específicas voltadas para a irrigação agrícola.

A CNA defende que o planejamento do setor elétrico considere, de forma integrada, a expansão da agricultura irrigada para garantir segurança alimentar e sustentabilidade no uso dos recursos hídricos.

De acordo com os dois indicadores, a energia que chega ao campo ainda é deficitária e não atende a contento as áreas irrigadas:

“O não suprimento de energia significa falta de água nas lavouras, tempo que os equipamentos de irrigação não puderam funcionar por falta de energia, portanto, afeta diretamente a produção agrícola”, destaca o estudo.

O estudo também avaliou o histórico de políticas públicas e setoriais de energia, procurando identificar a existência de relação entre a evolução da área irrigada e a condução de políticas públicas; e nenhuma política energética teve alguma estratégia ligada ao atendimento das áreas irrigadas.