A suspensão da exportação de frangos para outros países tem gerado impacto econômico na avicultura brasileira. Em âmbito nacional, o déficit pode ser de R$ 1,3 bilhão para o setor. No Ceará, estado que não exporta esse tipo de produto, no entanto, o impacto pode ser outro. Como explicou João Jorge, presidente da Associação Cearense de Avicultura (Aceav), ao Opinião CE, os frangos, como não serão vendidos ao exterior, devem ser negociados com o mercado interno, a preços que não são competitivos com o mercado cearense.
De acordo com o presidente da Aceav, o Ceará importa muito das outras regiões, produtos que chegam a um preço inferior ao que é vendido dentro do próprio território cearense. Ele frisou que os impactos ainda não são sentidos, mas que já há a conjectura, dentro da Associação e junto aos produtores, sobre essa possibilidade.
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O caso de gripe aviária foi identificado em Montenegro, município do Rio Grande do Sul. Jorge se posicionou contra a suspensão da exportação para todo o território brasileiro. “O Brasil é muito grande. As regiões têm condições de produzir sem causar nenhuma preocupação de estar levando aves contaminadas para outros países”, disse.
“Vamos falar de importar com segurança, mas não tem uma base formal para que esses produtos que mandamos para lá estejam contaminados. Não existe justificativa adequada”, afirmou, ressaltando que não é porque uma granja possua uma ave contaminada que toda a produção do país estaria acometida com a doença.
No Ceará, aliás, um local no município de Salitre é investigado sobre a possibilidade de gripe aviária. O presidente da Associação mostrou preocupação caso a análise do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), junto à Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), venha a ser positiva, mas frisou que não é a primeira região do Estado que é investigada sobre a hipótese. “Esperamos que seja igual aos outros. Já estamos acostumados a ter os resultados negativos”, finalizou.
