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Uece e Energia Pecém produzirão carvão híbrido a partir da biomassa do coco

O carvão híbrido, ou biocarvão, é uma fonte de energia mais sustentável, constituído a partir de resíduos da biomassa do coco
Foto: Divulgação/ Governo do Ceará

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Energia Pecém assinaram um memorando de entendimento (MoU) para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) na produção de carvão híbrido a partir da biomassa de coco. O projeto contará com o investimento inicial de R$ 2,5 milhões da Energia Pecém e tem a previsão de duração de 24 meses, com doze etapas a serem executadas, envolvendo desde a viabilidade técnica, econômica e ambiental, até a tecnologia demonstrada em ambiente operacional nas instalações da usina com a substituição do carvão mineral por carvão sustentável de forma gradativa.

A cerimônia ocorreu na última quarta-feira (28) e contou com a presença da professora Mona Lisa Moura, coordenadora do Laboratório de Conversão Energética e Inovação (LCE+) da Universidade e será líder da pesquisa. O projeto também envolverá profissionais, pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação vinculados à Uece e ao Instituto Desenvolvimento, Estratégia e Conhecimento (Idesco).

O carvão híbrido, ou biocarvão, é uma fonte de energia mais sustentável, constituído a partir de resíduos da biomassa do coco. A parceria entre a Energia Pecém e a Uece terá a função de avaliar a queima associada entre o biocarvão e o carvão mineral para a geração de energia. A pesquisa visa ainda avaliar o uso do biocarvão produzido a partir de resíduos de esgoto pelo processamento termoquímico do lodo de estação de tratamento de esgoto. O projeto visa atuar não somente na redução de resíduos de biomassa vegetal da região, mas também explorar o potencial energético desse material, que virá da região.

“Essa nova tecnologia produzirá novos combustíveis sólidos mais sustentáveis, os chamados “Carvões Híbridos”, que podem reduzir a emissão de CO2 na faixa de 20% a 45% como combustível da usina termoelétrica de Pecém I. Esse projeto vem para contribuir ainda mais para a redução de emissões na Pecém I, que vem sendo pioneira em diversos projetos em prol de uma transição energética mais justa e de menor impacto, e mostrando quão estratégica é a geração de energia a partir de fonte termelétrica”, afirma Carlos Baldi, presidente da Energia Pecém.

Líder da pesquisa, Mona Lisa Moura discursa sobre a iniciativa

O reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares destacou o caráter de inovação e a importância da construção de redes para o projeto. Para ele, “parcerias como essa fortalecem toda uma cadeia produtiva e social, o estado como um todo, que é o nosso principal objetivo. A transição energética é um desafio de todos nós. Quando vemos pesquisas dessa natureza, apresentando uma proposta para contribuir com o processo em uma estrutura de produção de energia tão significativa como essa, reduzindo o impacto da emissão de carbono, fica claro que estamos diante de uma pesquisa e vanguarda”. Hidelbrando destacou as ações que vêm sendo realizadas no projeto Descarboniza Uece, em que se discutem possibilidades para descarbonização na Universidade.

O Brasil é o maior produtor de coco da América do Sul, com uma produção superior 2 milhões de toneladas por ano e tendo o Ceará como maior produtor nacional. Cerca de 70% do lixo gerado nas praias do Nordeste é composto por cascas de coco verde, material de difícil degradação.