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PIB do Ceará cresce 1,63% no segundo trimestre alavancado pelo setor de serviços

Além do Ceará, mais 10 estados brasileiros realizam o cálculo do PIB, indicador que mostra a tendência do desempenho da economia no curto prazo
Setor de bares e restaurantes contribuiu para crescimento do PIB cearense. Foto: Helene Santos/ Governo do Ceará

O Produto Interno bruto (PIB) do Ceará fechou com crescimento de 1,63% no segundo trimestre de 2023 em relação ao segundo trimestre de 2022. Já ao comparar com o primeiro trimestre deste ano, o índice ficou em 1,53%. Na mesma perspectiva, o PIB nacional ficou em 3,4% e em 0,9%, ou seja, o resultado do Brasil foi maior que o desempenho cearense na primeira comparação, mas inferior em relação à segunda. No acumulado do ano, o PIB do Ceará fechou em 1,81% e nos últimos quatro trimestre em 0,54%, enquanto o desempenho nacional foi de 3,7% e 3,2%, respectivamente. Os números da economia cearense acabam de ser divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).

A perspectiva do PIB para 2023 também foi anunciada. De acordo com a previsão do Ipece, a terceira estimativa do ano e referente a setembro, o crescimento da economia deve ficar em 2,10%. Caso esse número seja concretizado, o resultado cearense ficará abaixo do projetado para a economia brasileira, que é de 2,89%, segundo relatório Focus do Banco Central.

A estimativa para o PIB cearense de 2023, na segunda previsão, em junho, era de 1,94% e a nacional de 1,84%. Na primeira, em março, a perspectiva de crescimento da economia do Ceará era de 1,33% (0,85% para o Brasil). E a previsão inicial, em dezembro, era de 2,19% para o Ceará e de 0,75% para o PIB nacional. 

SEGMENTOS

Dentre os três segmentos do PIB cearense, o melhor desempenho ficou com o setor de serviços, com 2,68%, isso no segundo trimestre de 2023 em relação ao mesmo período de 2022. O setor agropecuário fechou com alta de 0,71%, enquanto a indústria registrou índice negativo, de -3,25%. Na mesma comparação, o desempenho nacional foi de 2,3% para serviços; 1,5% para a indústria e 17% para a agropecuária. Já na comparação do segundo trimestre de 2023 com o primeiro trimestre deste ano, os resultados do PIB estadual foram: 3,58% para a agropecuária; 1,75% para a indústria e 1,29% para serviços, enquanto o Brasil registrou -0,9% para a agropecuária; 0,9% para a indústria e 0,6% para o setor de serviços.

ANÁLISE POR SETORES

O bom resultado observado no setor de serviços cearense no segundo trimestre pode ser explicado, principalmente, pelo bom desempenho das atividades dos serviços de alojamento e alimentação (+6,41%); comércio e serviços de manutenção e reparação (+5,23%); transporte, armazenagem e correios (+3,11%); administração pública (+1,94%); serviços prestados as famílias (+1,84%); e por fim, serviços financeiros (+1,36%). O setor de serviços cearense contribuiu favoravelmente com o desempenho geral da atividade econômica do Estado, cujo valor adicionado bruto registrou uma alta de 2,68% no segundo trimestre de 2023, comparado ao mesmo trimestre de 2022, resultado superior ao observado no primeiro trimestre do mesmo ano (+2,48%).

Já o resultado da agropecuária, segundo os analistas de Políticas Públicas do Ipece, pode ser explicado, principalmente, pela boa performance das atividades da pecuária que continuam apresentando desempenhos positivos, com destaques para o crescimento da produção de leite (17,89%) e de galináceos (11,52%).

Com relação à agricultura destacam-se positivamente as culturas da lavoura temporária do arroz (12,81%) e da fava (7,82%), enquanto que para o algodão (-26,73%), milho (-18,66%) e o feijão (-17,58%), as estimativas indicaram reduções da produção. Na produção de frutas, os destaques positivos ficaram por conta das produções de goiaba (11,74%), mamão (4,89%), banana (4,49%) e melancia (2,70%). Enquanto que coco-da-baía (-23,40%), laranja (-16,76%), melão (-14,46%) e maracujá (-1,19%) registraram queda. No segundo trimestre de 2023, a indústria cearense manteve sua trajetória descendente quanto a evolução do valor adicionado bruto (VAB).

Na comparação com igual período do ano anterior, a queda foi de -3,25%, em termos reais. Este último resultado intensifica o movimento observado no primeiro trimestre e se configura como a quinta redução seguida neste tipo de comparação”, mostra trecho do documento com estudo sobre o PIB.

O desempenho do setor é, novamente, explicado pela indústria da transformação. O segmento voltou a apresentar resultado negativo no segundo trimestre de 2023, com queda expressiva de -10,07% em relação ao mesmo período do ano anterior. Neste caso, a redução atual intensifica e prolonga uma conjuntura adversa para manufatura cearense.

Na direção oposta, a atividade da construção registrou novo resultado positivo, com alta de 0,32% no VAB, preservando uma trajetória de crescimento desde meados de 2020. Por seu turno, o segmento de eletricidade, gás e água voltou a crescer, com alta de 9,41%, intensificando a retomada após o período de recuos em 2022. A extrativa mineral, assim como a transformação, apresentou retração, com taxa de -0,45% na mesma comparação. Coube ao diretor-geral do Ipece, Alfredo José Pessoa de Oliveira, abrir a reunião de trabalho de divulgação do PIB cearense. Os números da economia estadual foram repassados pelos analistas de Políticas Públicas do Ipece Nicolino Trompieri Neto, coordenador do PIB; Witalo Paiva; Alexsandre Lira, José Freire Júnior e por Cristina Lima, assessora técnica.

ÍNDICE

Além do Ceará, mais 10 estados brasileiros realizam o cálculo do PIB, indicador que mostra a tendência do desempenho da economia no curto prazo. Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo utilizam a mesma ponderação das contas regionais. É calculado com base nos resultados dos três setores, agropecuária, indústria e serviços e desagregados por suas atividades econômicas. É importante ressaltar que, como indica somente uma tendência de crescimento ou arrefecimento da economia, as informações e resultados são preliminares e sujeitos a retificações, quando forem calculadas as contas regionais definitivas, em conjunto com o IBGE e as 27 unidades da Federação.