Em evento em Fortaleza nesta sexta, 1°, o presidente Lula (PT) voltou a criticar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Durante aniversário do Agroamigo e do Crediamigo, programada de fomento do Banco do Nordeste, o presidente também destacou a importância dos bancos públicos para a economia brasileira. Segundo Lula, o país vai “continuar brigando” pela redução da taxa de juros. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,25% ao ano.
“É importante saber que o presidente do Banco Central não foi indicado por nós, e o Banco Central é uma instituição autônoma. Se esse cidadão [presidente do BC] conversa com alguém, não é comigo. Se ele deve conversar, é com quem o indicou. E quem o indicou não fez coisas boas para o país”, completou o chefe do Executivo em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No evento desta sexta, o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, anunciou redução na taxa de juros do programa de microcrédito urbano (Crediamigo). O percentual agora passa a ser de 2,16%. No mês de agosto, a taxa dos juros mensais já havia sido reduzida de 3,2% a 2,53%. Em seu pronunciamento, Lula defendeu que os bancos públicos (Bando do Nordeste, Caixa e Banco do Brasil) atuem no fomento aos pequenos agricultores e micro e pequenos empreendedores.
“Só faz sentido os bancos públicos existirem se for pra fazer diferente do que fazem os bancos privados. Nós temos que ter dinheiro para investir a juros baratos”, disse nesta sexta, 1º.
Durante discurso no evento, que contou com a presença de cinco ministros, incluindo o da Educação, Camilo Santana, do governador Elmano de Freitas, do prefeito José Sarto, e de outras autoridades, Lula também alfinetou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Para quem está no Governo o tempo passa muito rápido. Para quem está na oposição, demora. Bolsonaro deve estar coçando as unhas querendo voltar, e vai demorar porque, certamente, ele não vai voltar”, disparou o presidente.
JUROS
Os juros médios dos bancos vêm caindo nos últimos meses, segundo dados do BC. Considerando o conjunto dos recursos livres e direcionados para pessoas físicas, o pico dos juros aconteceu em maio: 38,2% ao ano. Para empresa, o pico foi em janeiro: juros a 22,2%. Desde então, há redução nas taxas mês a mês, com flutuações, e desaceleração no crescimento em 12 meses. No crédito livre, os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado – com regras definidas pelo governo – é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito. As informações são da Agência Brasil.
O comportamento dos juros bancários médios ocorre em um momento em que a expectativa do mercado financeiro é de queda da taxa básica de juros da economia, a Selic, atualmente em 13,25% ao ano. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a Selic é o principal instrumento usado pela autoridade monetária para alcançar a meta de inflação. Diante da forte queda da inflação, o Copom iniciou, no mês passado, um ciclo de redução da Selic. A última vez em que o BC tinha diminuído a Selic foi em agosto de 2020, quando a taxa caiu de 2,25% para 2% ao ano, em meio à contração econômica gerada pela pandemia de covid-19.
Depois disso, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo que começou em março de 2021, em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis, e, a partir de agosto do ano passado, manteve a taxa em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas. Até o fim do ano, a previsão dos analistas é que a Selic caia para 11,75%. Com isso, a taxa de captação dos bancos (o quanto é pago pelo crédito) vem recuando. Desde abril, ela está em queda e ficou em 11,3% em julho.
Com colaboração de Rodrigo Rodrigues.
