Conhecida pelas potencialidades na produção de camarão em cativeiro, a região do Vale do Jaguaribe sedia nesta semana um evento inédito: o I Encontro das Mulheres da Aquicultura. A iniciativa, que apresenta cases de sucesso de mulheres cearenses que decidiram empreender na carcinicultura, surgiu da necessidade de incentivar a inserção de outras mulheres no setor. A expectativa é reunir 150 participantes entre técnicos, estudantes, micros, pequenos e médios produtores de camarão do estado.
O evento teve início nesta quarta-feira, 30, e segue até sexta, 1º de setembro, na Rua Pref. Raimundo José Rabelo, 2717, no Campus do IFCE de Morada Nova.
“Elas estão conquistando seu espaço não apenas na produção de camarão, mas na aquicultura em geral. Encontros dessa natureza são fundamentais para levar inovação e capacitação para os produtores”, ressalta o professor doutor em Aquicultura do IFCE, campus Morada Nova, Ítalo Rocha.
A engenheira de Pesca e mestre em Nutrição, Carolina Vieira foi além da produção de camarão. Ela também produz alevinos de tilápia e comercializa os próprios produtos. O marketing digital, tema da sua palestra no Seminário, é o maior aliado da empreendedora para potencializar as vendas. “O marketing digital para a aquicultura é extremamente importante para duas vertentes: a primeira é aproximar um público absurdamente leigo em relação ao processo de criação do camarão, aos produtores. Já a segunda é a possibilidade de agregar valor ao produto, principalmente para o produtor que está na porta da fazenda, na ponta do processo”, avalia Carolina.
Piscicultura em Foco, Valor Agregado na Aquicultura, Custo e Eficiência na Carcinicultura e Inovações Tecnológicas são os eixos temáticos do III Seminário Biossegurança e Inovações na Cadeia de Produção da Carcinicultura, que será realizado de 30 de agosto a 01 de setembro, no IFCE (campus Morada Nova).
“Na área da piscicultura, por exemplo, vamos discutir inovação genética da tilápia. A técnica comumente chamada de “barriga de aluguel”, possibilita com facilidade a obtenção de ovócitos fecundados de fêmeas que teriam um trabalho maior de fazer essa reprodução”, explica Ítalo Rocha.
CEARÁ É LIDER
Em expansão desde 2021, o cultivo de camarão em cativeiro, no Ceará, tem mudado a realidade do sertão cearense. São mais de 13 mil hectares de área produtiva, contemplando 59 municípios cearenses. Dados da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) apontam que, entre 2012 e 2021, a carcinicultura cearense cresceu 271%. O Ceará é líder da produção do pescado, sendo responsável por 41,7% de todo o camarão produzido no Brasil. Somente em 2022, o estado vendeu mais de 150 mil toneladas de camarão para o mercado interno. Os dados são da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) e consolidam o estado como o maior produtor nordestino de camarão em cativeiro.
O III Seminário Biossegurança e Inovações na Cadeia de Produção da Carcinicultura é uma realização do Instituto Future e patrocínio do Ministério da Agricultura e Pecuária, Banco do Nordeste e Sebrae-CE.
