Nesta sexta, 25, está sendo realizado o I Seminário de Economia Negra do Ceará. Em parceria da Feira Negra, com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae Ceará) e com a Secretaria da Igualdade Racial (Seir), o evento visa debater sobre a economia e o empreendedorismo negro no Estado. Sobre o evento, o OPINIÃO CE falou com Silvio Moreira, articulador da Unidade de Competitividade do Sebrae.
Com acesso gratuito, o seminário que ocorre das 8h às 19h conta com convidados especiais para debater o tema. Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, de São Paulo, e uma das 30 mulheres negras mais influentes do mundo de acordo com o Most Influential People of African Descent (MIPAD), foi uma das personalidades presentes. Ela foi sugestão do coletivo da Feira Negra e apresentou a palestra Magna, com o tema: “Economia Negra, passado, presente e novas perspectivas ao afro empreendedorismo”.
A Feira Preta é a maior feira de cultura negra da América Latina e já reuniu mais de 170 mil pessoas, movimentando cerca de R$ 5,5 milhões.
AFROEMPREENDEDORISMO
Segundo dados divulgados pelo Sebrae relativos ao segundo trimestre de 2022, a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possuía 29,9 milhões de donos de negócios. Desse total, 15,9 milhões (52%) são negros. No Ceará, essa porcentagem é ainda maior, com 70% dos donos de negócio sendo negros.
Apesar de serem maioria, os empreendedores negros possuem ganho médio cerca de 32% menor do que os donos de negócios brancos. Os empresários brancos do sexo masculino têm média de ganhos mensais de R$ 3.231, e os homens negros, por outro lado, faturam uma média de R$ 2.188. Já na disparidade em relação às mulheres, enquanto empreendedoras brancas faturam média de R$ 2.706, as empreendedoras negras possuem média de R$ 1.852.
Segundo Silvio Moreira, essa discrepância ocorre, pois muitos empreendedores negros empreendem por necessidade. “Existem dois tipos básicos de empreendedorismo: por necessidade ou oportunidade”, disse. Ainda conforme Moreira, a diferença na renda existe, pois no empreendedorismo por necessidade não há como ter um melhor planejamento do negócio.
“Nem sempre esse ato de empreender vem com uma preparação prévia, com plano de negócio, com definição clara do negócio, quem é o cliente, onde vai atuar, onde vai se localizar… Então isso faz com que o ganho passe a ser menor”, explicou.
Conforme o articulador, o seminário debate as oportunidades e os desafios que essa população tem. “Entendendo que quanto mais organizados esses empreendedores estiverem é melhor para todos. Para que eles possam acessar políticas públicas, acessar capacitações, qualificações e programas para a melhoria desse segmento”, afirmou.
O evento começa com uma mesa de abertura, com participação da secretária da Seis, Zelma Madeira; do superintendente do Sebrae, Joaquim Cartaxo; a cofundadora, assessora pedagógica e de projetos da Feira Negra de Fortaleza, Nenzinha Ferreira; e a cofundadora e coordenadora da Feira Negra de Fortaleza, Aliciane Barros.
Ainda na programação, além da palestra Magna, estão previstas duas mesas de debate, com os temas: “As mulheres Negras e o Afroempreendedorismo” e “Políticas Públicas e Iniciativas para o Afroempreendedorismo no Ceará – Comitê Gestor Estadual do Ceará de Expressões Afrobrasileira”.
FEIRA NEGRA
De Fortaleza, a Feira Negra é um coletivo de empreendedores negras e negros que surgiu para garantir a valorização da difusão da produção cultural da população negra da Capital. O coletivo é um dos pioneiros na valorização do afro-empreendedorismo na cidade. Atualmente com 40 afro-empreendedores, a organização está chancelada como Ponto de Cultura pelo Estado do Ceará.
Sobre a parceria do Sebrae com a Feira Negra, Moreira explicou que há três meses foi iniciada uma trilha de capacitações e consultorias voltadas para a melhoria de gestão do afroempreendimento. No entanto, o articulador apontou que ainda há espaço para ampliar os trabalhos. “Queremos ampliar para outras regiões do Estado também, estamos mapeando esse grupo de empreendedores para a gente entender as necessidades que eles têm”, completou.
