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Afroempreendedorismo é potencializado com organização e planejamento, defende articulador

Nesta sexta, 25, foi realizado o I Seminário de Economia Negra no Ceará; Sobre o assunto, o OPINIÃO CE falou com o articulador da Unidade de Competitividade do Sebrae, Silvio Moreira
Foto: Divulgação/Seir

O Ceará vem buscando se aprofundar no debate sobre a economia e o empreendedorismo negro no atual contexto econômico e social. Segundo o articulador da Unidade de Competitividade do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae Ceará), Silvio Moreira, quanto mais organizados esses empreendedores estiverem, melhor será para o afroempreendedorismo. O OPINIÃO CE falou com o articulador sobre o assunto.

Conforme Moreira, tal organização entre os empreendedores seria essencial para um melhor acesso às políticas públicas e a capacitações, qualificações e programas para a melhoria do empreendimento negro. Realizado em parceria do Sebrae com o coletivo Feira Negra e com a Secretaria da Igualdade Racial do Ceará (Seir), o evento também debateu sobre a disparidade da renda mensal entre os empreendedores brancos e os empreendedores negros. A diferença é de cerca de 32% de menos lucro mensal para os comerciantes negros.

Como explicou Silvio Moreira, tal realidade se explica no motivo a qual cada indivíduo começa a empreender. De acordo com o articulador, existem duas formas de empreendedorismo: por necessidade e por oportunidade. Ainda como expôs Moreira, o empreendedorismo por necessidade é muito presente na população negra, que não possui as mesmas oportunidades que as pessoas brancas

Neste tipo de negócio, aliás, se destaca a falta de planejamento. “Nem sempre esse ato de empreender vem com uma preparação prévia, com plano de negócio, com definição clara do negócio, quem é o cliente, onde vai atuar, onde vai se localizar… Então, isso faz com que o ganho passe a ser menor”, explicou. No entanto, em parceria com o coletivo Feira Negra, o Sebrae tenta mudar esse cenário na Capital cearense. Conforme Silvio, há três meses foi iniciada uma trilha de capacitações e consultorias voltadas para a melhoria da gestão no afroempreendimento de Fortaleza. Ele não descarta, aliás, a ampliação de tais capacitações para o restante do Estado.

“Queremos ampliar para outras regiões do Estado também, estamos mapeando esse grupo de empreendedores para a gente entender as necessidades que eles têm”, completou.

O SEMINÁRIO

Na sexta, 25, ocorreu o I Seminário de Economia Negra no Ceará. O evento teve acesso gratuito. Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, de São Paulo, e uma das 30 mulheres negras mais influentes do mundo de acordo com o Most Influential People of African Descent (MIPAD), foi uma das personalidades presentes. Ela apresentou a palestra Magna, com o tema: “Economia Negra, passado, presente e novas perspectivas ao afro empreendedorismo”.

O evento começou com uma mesa de abertura, com participação da secretária da Seir, Zelma Madeira; do superintendente do Sebrae, Joaquim Cartaxo; da cofundadora, assessora pedagógica e de projetos da Feira Negra de Fortaleza, Nenzinha Ferreira; e da cofundadora e coordenadora da Feira Negra de Fortaleza, Aliciane BarrosAlém da palestra Magna, a programação também contou com duas mesas de debate, com os temas: “As mulheres Negras e o Afroempreendedorismo” e “Políticas Públicas e Iniciativas para o Afroempreendedorismo no Ceará – Comitê Gestor Estadual do Ceará de Expressões Afrobrasileira”.