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Comércio e Serviços ajudaram destaque do PIB de Fortaleza, o maior do Nordeste

Pelo terceiro ano seguido, Fortaleza ocupa a liderança do PIB no Nordeste. De 2018 a 2020, diz IBGE, capital cearense ultrapassou Salvador, que possuía a maior fatia na Região
Foto: Beatriz Boblitz

Pelo terceiro ano seguido, Fortaleza ocupa a liderança do Produto Interno Bruto (PIB) no Nordeste. De 2018 a 2020, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a capital cearense ultrapassou Salvador-BA e possui a maior fatia da taxa na Região. Para Ricardo Coimbra, economista do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon), um dos principais motivos para Fortaleza ter continuado na liderança pelo terceiro ano seguido é o fato de que a economia de Fortaleza apresenta um intenso nível de concentração nos segmentos de comércio e serviço, principalmente com a retomada pós pandemia.

“O processo de retomada pós-pandemia vem fortalecendo os setores de atividade nas regiões próximas à Fortaleza. Temos um complexo industrial forte não só na região do Maranguape, Maracanaú, Eusébio, Horizonte, Pacajus, mas também no eixo do complexo industrial e portuário do Pecém. Então, de certa forma, consegue-se fortalecer também as relações de comércio e de indústria em Fortaleza, mesmo que num nível um pouco menor”, detalha o economista.

Segundo os números mais recentes, divulgados no último dia 16, o valor da soma das riquezas produzidas na Cidade é de R$ 65,16 bi, cerca de 40% do PIB total do Ceará, que é de R$ 166,91 bi. Em comparação aos dados de 2019, o número do PIB da Capital caiu, já que registrava R$ 67,4 bi no ano anterior. Mesmo com a queda, Fortaleza registra números maiores que Salvador e Recife, as outras capitais mais ricas da região.

Coimbra explica que a inter-relação do que acontece no eixo industrial de demais cidades da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) reverbera na movimentação da riqueza na Capital. “Ela se fortalece e cresce, principalmente nesses setores de atividade, cujo mais de 70% advém do comércio e do serviço. O fortalecimento desse segmento e o crescimento dele ao longo dos últimos anos vêm fazendo com que a riqueza gerada em Fortaleza seja maior do que o das outras capitais no Nordeste, onde se tem uma dificuldade no crescimento.”

O economista da Corecon ressalta que a robustez contínua da economia cearense com o crescimento da atração de investimentos ao longo do tempo e, mais a frente, na área das energias renováveis geram potencial de crescimento para o ano de 2023 num nível muito significativo. “A tendência é de que se mantenha esse nível de crescimento bem acima da expectativa da média nacional, podendo chegar, talvez, em até mais de 2% de crescimento do PIB de Fortaleza”, finaliza Ricardo.

Daniel Suliano, economista do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), também analisa. “Basicamente, a manutenção da capital cearense como a primeira do Nordeste no ranking do PIB municipal é seu avanço ao longo de dezoito anos.” Fortaleza se encontra com um valor de cerca de 9,5% à frente de Salvador, segundo maior PIB da região. Em comparação a Recife, terceiro maior, a diferença é de 22,8%.

DADOS NACIONAIS
No cenário nacional, Fortaleza ocupa a 11ª colocação geral entre os municípios e a 8ª entre as capitais. As cidades de Osasco, Campinas e Guarulhos, de São Paulo, ficam à frente da capital alencarina. Em comparação aos dados anteriores, a cidade saiu do “top-10” do país entre as mais ricas. Confira o ranking:

Ainda de acordo com os dados do IBGE, observa-se que a Cidade apresenta uma economia dividida em Serviços, que inclui comércio, com 68,4%, seguido pelo setor de Administração, com 17,6%, e Indústria, com 13,7%. O setor da Agropecuária aparece como minoria, com 0,19%.

Em comparação aos dados de 2019, a fatia de Serviços caiu 0,86%, enquanto o setor de Administração subiu 0,75%. “Os serviços de Fortaleza caíram por conta da pandemia. Os principais centros urbanos foram fortemente atingidos em setores de atendimento presencial levando a perda de participação”, complementa Suliano.

LISTA DO NORDESTE
Fortaleza (CE) –
R$ 65,1 bilhões
Salvador (BA) – R$ 58,9 bilhões
Recife (PE) – R$ 50,3 bilhões
São Luís (MA) – R$ 33,0 bilhões
Maceió (AL) – R$ 22,8 bilhões
Natal (RN) – R$ 22,7 bilhões
Teresina (PI) – R$ 21,5 bilhões
João Pessoa (PB) – R$ 20,7 bilhões
Aracaju (SE) – R$ 16,4 bilhões.

LISTA DO BRASIL
São Paulo (SP) – R$ 784,7 bi
Rio de Janeiro (RJ) – R$ 331,2 bi
Brasília (DF) – R$ 265,8 bi
Belo Horizonte (MG) – R$ 97,5 bi
Manaus (AM) – R$ 91,7 bi
Curitiba (PR) – R$ 88,3 bi
Osasco (SP) – R$ 76,3 bi
Porto Alegre (RS) – R$ 76,0 bi
Guarulhos (SP) – R$ 65,8 bi
Campinas (SP) – R$ 65,4 bi
Fortaleza (CE) – R$ 65,1 bi
Salvador (BA) – R$ 58,9 bi
Goiânia (GO) – R$ 51,9 bi
Barueri (SP) – R$ 51,2 bi
Jundiaí (SP) – R$ 51,2 bi
Recife (PE) – R$ 50,3 bi

Colaborou Yasmin Paiva