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Ceará vai produzir Hidrogênio Verde a partir de janeiro, diz Maia Jr.

Trata-se da Usina EDP, de Portugal, que traz projeto com investimento da ordem de R$ 41,9 mi numa planta que contempla uma usina solar com capacidade de 3 MW, entre outros pontos
Foto: Divulgação/Governo do Estado

A gestão Camilo Santana (PT)/Izolda Cela (sem partido) deve encerrar com um feito inédito para o Ceará e para o Brasil quando se fala de Hidrogênio Verde (H2V) ou, popularmente conhecida, como energia limpa: o Governo do Estado entregará, em janeiro do próximo ano, a primeira usina de Hidrogênio Verde da América Latina, fincada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante.

Trata-se da Usina EDP, de Portugal, que traz consigo o projeto com um investimento da ordem de R$ 41,9 milhões numa planta que contempla uma usina solar com capacidade de 3 MW e um módulo eletrolisador para produção do combustível a partir de energia renovável. A informação foi confirmada pelo titular da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho (Sedet), Maia Júnior, em entrevista ao OPINIÃO CE.

A unidade modular terá capacidade de produzir 250 Nm3/h de H2V. A EDP consolidará assim, na prática, a implantação do HUB de Hidrogênio Verde prometido pelo ex-governador Camilo. Na última segunda-feira, 5, a Comerc Eficiência e a Casa dos Ventos assinaram um pré-contrato com o Complexo do Pecém (CIPP S/A) para a instalação de unidade fabril de produção de hidrogênio e amônia verde com sua primeira fase prevista para iniciar operação em 2026.

LICENCIAMENTO AMBIENTAL
O projeto, que já vem sendo trabalhado desde 2021, agora segue para a fase de licenciamento ambiental e projeto básico para iniciar sua implantação, que será dividida em etapas. Quando em plena capacidade operativa, o empreendimento terá capacidade de até 2.4 GW de eletrólise, produzindo mais de mil toneladas de hidrogênio por dia, possibilitando a entrega 2,2 milhões de toneladas de amônia verde por ano.

Maia Júnior disse à reportagem, por telefone, que o HUB de Hidrogênio Verde em solo cearense é um dos mais avançados do mundo. Ao todo, são mais de 20 protocolos até agora assinados sendo materializados.

“Já temos alguns projetos com definição de início de produção em 2026. Estamos concluindo, neste mês de dezembro, a primeira planta de Hidrogênio Verde da América Latina por meio de um projeto liderado pela EDP no Complexo Porto do Pecém, fazendo com que o Ceará produza, a partir de janeiro de 2023, energia limpa (H2V). É uma ótima notícia”, revela Maia.

Esse é o terceiro pré-contrato assinado para o Hub de Hidrogênio do Ceará, que conta ainda com 24 memorandos de entendimento (MoUs) assinados com empresas brasileiras e estrangeiras, de fevereiro de 2021 até hoje. Em média, se forem todos os projetos aprovados, “o montante de investimento para o estado do Ceará é de U$ 4 bilhões”, complementou o titular da pasta, pontuando que o Estado conta com empresas do Brasil, da América do Norte, da Europa (a maior quantidade) e Asiáticas, presente no portfólio de protocolos assinados.

EMPRESAS
A relação de empresas atraídas para o Hub de H2V do Ceará é: Enegix Energy pte. Ltd, Qair, Fortescue, Neoenergia/Iberdrola,Diferencial Energia, Eneva, H2helium, Hytron, Engie Brasil, Transhydrogen, White Martins / Linde, Total Eren do Brasil, Aes, Cactus Energia Verde, Casa dos Ventos, Stolthaven, H2 Preen Power, Nexway, Enel Grenn Power, Hdf, Asea Brown Boveri, Mitsui, Alupar e EDP.

O projeto da Fortescue é um dos mais adiantados. Será alimentado por Contratos de Compra de Energia Renovável (PPAs) para a produção de hidrogênio verde e outros produtos verdes. A água utilizada no processo de eletrólise será proveniente de uma nova usina de dessalinização ou reúso de água.

Atualmente, o projeto está em fase de viabilidade, onde estão sendo realizados estudos de engenharia, impacto ambiental e social para identificar oportunidades viáveis de produção de hidrogênio verde na região, protegendo a biodiversidade e garantindo oportunidades para as comunidades locais.

Já as empresas Comerc Eficiência e Casa dos Ventos já haviam firmado um Memorando de Entendimento (MOU) com o Governo do Ceará e outro com o próprio Complexo do Pecém para assegurar sua participação no projeto do Hub de H2V do Ceará.

A planta, que ocupará uma área de até 60 hectares na ZPE Ceará, vai evitar a emissão de até 430 mil toneladas de CO2 por mês, por meio da geração de Hidrogênio Verde ao invés de Hidrogênio Cinza, o qual emite 2.4 kg de CO2 para cada quilo de Amônia Cinza produzida, trazendo assim uma significativa redução na emissão dos gases de efeito estufa (GEE).

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