A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que a tarifa de energia elétrica deve subir, em média, 5,6% em 2023. O dado foi apresentado nesta quarta-feira, 23, ao grupo de Minas e Energia do governo de transição do presidente eleito, Lula (PT), liderado pelo vice, Geraldo Alckmin (PSB). A projeção da agência é que, no próximo ano, sete distribuidoras tenham reajuste superior a 10%; 15 distribuidoras apresentem reajuste entre 5% e 10%; 17 distribuidoras, reajuste entre 0% e 5%; e 13 distribuidoras, reajuste inferior a 0%.
No relatório, apresentado durante a reunião com o grupo de transição, a Aneel destacou que os percentuais de reajuste dependem de premissas que podem ser alteradas até a homologação dos processos tarifários. No encontro com o grupo de Minas e Energia, foram abordados ainda temas como a abertura do mercado livre, a evolução das tarifas, a qualidade do serviço, questões relativas à tarifa social, universalização, qualidade do serviço e satisfação do usuário.
“A Aneel apresentou durante o encontro um panorama das principais questões em discussão no setor elétrico, relativas aos segmentos de geração, transmissão, distribuição e comercialização, além dos temas que estão atualmente em debate que merecem maior atenção da equipe de transição”, informou a Aneel.
Ceará
No Ceará, a empresa italiana Enel anunciou, nesta semana, que vai vender a distribuidora de energia elétrica no Estado em 2023. A decisão foi apresentada para investidores e faz parte do plano de negócios que vai de 2023 a 2025. Em nota, a empresa informou que haverá uma alienação do controle acionário da Coelce, empresa que fornece energia para os 184 municípios cearenses. Neste ano, por conta dos reajustes, a empresa passou por diversos embates na Assembleia Legislativa do Estado.
A expectativa da empresa é vender ativos no valor de 21 bilhões de euros (R$ 114,4 bilhões) para reduzir a dívida líquida da companhia. O plano da Enel é deixar as operações ligadas a combustíveis fósseis e focar a atuação em cinco países: Brasil, Itália, Espanha, Chile e Colômbia. A empresa deve sair da Argentina e do Peru. De acordo com a Enel, a meta é zerar as emissões de carbono até 2040. Para isso, até 2025, devem ser investidos R$ 202 bilhões na empresa que, somente de janeiro a setembro deste ano, obteve lucro de 1,7 bilhão de euros, o equivalente a R$ 9,6 bilhões.
O resultado, todavia, é 30% inferior ao mesmo período de 2021.
