O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta sexta-feira, 11, uma pesquisa que revela a desigualdade social entre os cearenses por cor e raça. No Estado, as populações preta e parda viveram com menos dinheiro em 2021 se comparadas à população branca, esta com parcela menor em diferentes níveis de pobreza.
Ano passado, no Ceará, o rendimento médio domiciliar per capita, por exemplo, da população branca (R$ 1 161) era quase 50% maior que o verificado para a população preta (R$ 776) e parda (R$ 808), tendência que se manteve desde 2012.
As diferenças no rendimento domiciliar per capita estão relacionadas a maior concentração da população preta e parda na base da estrutura de rendimento. Considerando apenas esses três grupos populacionais, a participação da população preta (6,0%) e parda (67,7%) na população em 2021 era inferior à participação no décimo populacional com os menores rendimento, em que se concentravam 6,4% dos pretos e 71,2% dos pardos cearenses.
Em relação aos rendimentos do trabalho, a população branca também registrou indicadores mais favoráveis. Esse quesito tem particular importância, pois o trabalho é a principal fonte de renda para a aquisição de bens e serviços e para o padrão de consumo de indivíduos e famílias.
Em 2021, no Estado, o rendimento médio mensal de pessoas ocupadas brancas (R$ 2 064) foi superior ao de pretas (R$ 1 492) e pardas (R$ 1 655). A diferença relativa em favor das pessoas ocupadas brancas também ocorre desde o início da série histórica, em 2012.
A desigualdade de rendimentos do trabalho por cor ou raça ocorreu com intensidades distintas nas grandes regiões, mas foi observada tanto nas unidades da federação que apresentaram menores rendimentos médios – Piauí, Maranhão e Bahia – quanto nas que registraram rendimentos mais elevados – Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro.
MERCADO DE TRABALHO
Em 2021, a taxa de desocupação foi de 13,7% para pessoas brancas, contra 14,2% para pessoas pretas ou pardas. Em relação à taxa de subutilização, as pessoas brancas registraram 36,0%, contra 37,6% para pretas ou pardas.
A taxa, que representa a proporção de pessoas desocupadas sobre a força de trabalho e a taxa de subutilização, das pessoas brancas foi inferior às taxas dos outros dois grupos populacionais analisados. Em quase todos os anos estudados, a desocupação e a subutilização foram sistematicamente inferiores para as pessoas de cor ou raça branca no Ceará.
Segundo o instituto, a informalidade no mercado de trabalho está associada, muitas vezes, ao trabalho precário e/ou à ausência de proteção social, que limita o acesso a direitos básicos, como a remuneração pelo salário mínimo e o direito à aposentadoria. As diferenças entre os grupos de cor ou raça, no entanto, continuaram. Enquanto 52,8% das pessoas ocupadas brancas estavam em ocupações informais, entre as pretas ou pardas esse percentual atingiu 56,7%, em 2021.
A maior informalidade entre pessoas de cor ou raça preta ou parda, em relação às brancas, foi verificada ao longo de toda a série. As Regiões Norte e Nordeste apresentaram os resultados mais elevados, notadamente entre as pessoas pretas ou pardas, cujas proporções, em 2021, situaram-se próximas a 60%.
LINHAS DE POBREZA
A análise das linhas de pobreza monetária, propostas pelo Banco Mundial (World Bank), reforçam o quadro de maior vulnerabilidade da população preta e parda, que apresentou percentual de pobres superior ao verificado para a população de cor ou raça branca.
Em 2021, no estado do Ceará, considerando a linha de US$ 5,50 diários, a taxa de pobreza das pessoas brancas era 38,8%, ao passo que entre as pessoas pretas ou pardas o percentual foi de 49,7%. Considerando a linha de US$ 1,90 diários, a diferença também foi expressiva: enquanto 12,4% das pessoas brancas tinham rendimentos abaixo da linha, 16,1% das pessoas pretas ou pardas situavam-se também abaixo.
