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Cerca de 75% dos fortalezenses estão endividados, mostra pesquisa

Índice apresentou queda de 1,1 ponto percentual comparado ao bimestre anterior, encerrado em agosto, porém superior ao observado no mesmo período do ano passado
Foto: Marlone Melo

A Pesquisa do Endividamento do Consumidor de Fortaleza, realizada para o bimestre setembro/outubro de 2022, registrou 74,8% dos consumidores da capital cearense com algum tipo de dívida. O índice apresentou queda de 1,1 ponto percentual comparado ao bimestre anterior, encerrado em agosto, de 75,9%, porém superior ao observado no mesmo período do ano passado (73,1%).

O levantamento é realizado pela Fecomércio, por meio do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC). De acordo com a análsie, as dificuldades em honrar os compromissos financeiros afetam mais as mulheres (32,0%), os consumidores do estrato com idade acima dos 35 anos (30,6%) e da classe com renda familiar mensal abaixo de cinco salários-mínimos (29,6%).

O tempo médio de atraso é de 74 dias e a principal justificativa para o não pagamento das dívidas é a necessidade de se adiar o pagamento, para uso dos recursos em outras finalidades, citado por 58,0% dos entrevistados.  O segundo motivo mais citado é o desequilíbrio financeiro, com 40,8% das respostas, seguido da perda de prazo por esquecimento (6,5%) e da contestação das obrigações (4,8%).

Professor universitário, João Henrique Viana revela que tem que priorizar quais dívidas quitar. Antes da pandemia, o docente já havia feito um empréstimo consignado o que acarretou uma dor de cabeça ainda maior e que perdura até agora.

“Com a pandemia, fui demitido, e a dívida ficou em aberto com acréscimo de juros que impedem o pagamento das parcelas, tanto pelo valor elevado quanto pelo fato de que ainda não consegui um salário que me ajudasse a debelar a dívida. Fatores como desemprego, pagamento via Pessoa Jurídica [PJ] e instabilidade fazem com que eu escolha o que pagar. No caso, apenas contas fixas de casa e, às vezes, não consigo pagar tudo.”

Para tentar solucionar as dívidas, o também administrador de empresas tem tentado acordos e parcelamento com menos juros, mas os bancos, em especial, “não trazem muitas opções o que faz com que fique nesse looping eterno. As cobranças são sistemáticas e adoecedoras.” As contas também não fecham 100% a cada final do mês para a aposentada Fátima Santos. Ainda com sequelas da covid-19, Fátima recebe aposentadoria pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), além de ser pensionista do Exército Brasileiro.

“Somando tudo, recebo R$ R$ 3.500 do INSS e R$ 1.200 de pensão, pois sou filha de militar, mas os custos com alimentação, gasolina e exames para cuidar da sáude passam disso quando vou colocar na ponta do lápis. Tenho um caderninho para anotar tudo. Minha filha é formada, porém está desempregada e estou tendo que manter as duas só com essa renda.” Fátima, que já tem mais de 70 anos, não tem plano de saúde porque não consegue mais pagar.

COMPROMETIMENTO

A pesquisa aponta ainda que o consumidor de Fortaleza está comprometendo, em média, 46,2% da renda familiar com o pagamento das dívidas – resultado 2,5 pontos percentuais acima do registrado no primeiro semestre encerrado em agosto (43,7%) e muito superior à média histórica do indicador, de 35,0%.

Os instrumentos de crédito mais utilizados pelos consumidores são cartões de crédito, citados por 83,7% dos entrevistados; financiamento bancário (veículos, imóveis etc.), com 17,3%; empréstimos pessoais, com 9,0%; carnês e crediários, com 4,6%; e cheque especial, com 1,5%.

O estudo mostra que são os gastos correntes os principais responsáveis pelo endividamento, com destaque para a compra de alimentos a prazo (citado por 61,1% dos consumidores entrevistados), para aquisição de itens de vestuário (29,7%), a cobertura de despesas de saúde (25,3%) e o uso de crédito para pagamento de aluguel residencial (24,7%). O valor médio das dívidas é de R$ 1.704, com prazo médio de oito meses.

INADIMPLÊNCIA

A taxa de inadimplência potencial, ou seja, a proporção de consumidores que não terão condições financeiras para honrar seus compromissos, aumentou +1,6 ponto percentual, atingindo o patamar de 13,2% no bimestre setembro/outubro.

Apesar do resultado, o índice mostra melhora com relação ao mesmo período de 2021, quando foi mensurado em 15,8%. O perfil do consumidor inadimplente mostra preponderância do grupo de consumidores do sexo feminino (inadimplência potencial de 15,7%), do grupo com idade acima dos 35 anos (16,1%) e do estrato com renda familiar mensal inferior a cinco salários-mínimos (13,8%).

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