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Pesquisa ratifica que cearenses trocaram carne e frango por ovo

Hiperinflação nos preços, sobretudo tudo na carne e no frango, fizeram com que cearenses optassem por substitutos dessas...

Hiperinflação nos preços, sobretudo tudo na carne e no frango, fizeram com que cearenses optassem por substitutos dessas proteínas. Com cenário, consumo de ovo de galinha cresceu

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Foto: Natinho Rodrigues

O queridinho churrasco dos brasileiros parece que vai ficar para depois. E o principal motivo não é nada de novo para quem acompanha os preços nos supermercados nos últimos meses: a hiperinflação nos preços dos alimentos, sobretudo tudo na carne e no frango.

No Ceará, por exemplo, o substituto dessas proteínas é o ovo de galinha. É o que avaliam especialistas em economia. Segundo a Estatística da Produção Pecuária (EPP), do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), divulgada nesta quarta-feira, 8, em 2022, os ovos de galinha tiveram um aumento de produção em 5% com 59.356 (mil dúzias), superior à estimativa do 1º trimestre do ano passado (56.555 mil dúzias) e 0.9% menor que a apurada no 4º trimestre de 2021, quando o total foi de 59.910 mil dúzias.

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia – CE (Corecon-CE), Álvaro Carvalho, explica que o momento de aumento de preços é generalizado. As famílias cearenses estão optando por opções mais baratas ainda que sejam consideradas caras dentro do orçamento familiar.

“Estamos vivendo um momento de hiperinflações. Temos uma oferta menor que a demanda. Muita gente procura carne e frango, mas os preços estão altíssimos. Esses tipos de produtos são o que chamamos de commodities, que são, em grande parte, influenciadores do comportamento de determinados setores econômicos ou até da economia como um todo. Isso significa que as oscilações em seus preços influenciam outras atividades”, explica.

Além desse fator, outro ponto que o economista considera para o aumento do consumo do ovo de galinha é que “tanto o frango quanto o boi, comem ração, que tem por base o milho, que também sofreu aumento. Isso interfere no valor final da carne e do frango”.

EM RITMO ACELERADO
De fato, o consumo de ovos de galinha vem crescendo em ritmo acelerado no Brasil devido ao aumento de preços das outras proteínas, como a carne e o frango. Isto tem mostrado uma interferência direta na mudança de comportamento alimentar das famílias. É que complementa o especialista em economia Wandemberg Almeida.

“Boa parte da população está se alimentando com ovos de galinha para continuar tendo acesso ao consumo de pelo menos uma proteína. Cada vez mais, infelizmente, a população está mais pobre devido à inflação e a elevação do preço de carne e frango faz com que a maioria da população migre para uma terceira via de acordo com seus orçamentos.” Para os próximos meses, a notícia não é boa para os cearenses. Os dois especialistas consideram que o aumento tende a continuar e que o consumo de ovos de galinha como proteína principal vai se prolongar.

ABATE EM ALTA
Em paralelo ao aumento do consumo de ovos de galinha, o abate de bovinos chegou a 27.764 cabeças e voltou a subir no 1º trimestre de 2022, após dois anos de queda na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a pesquisa.

Essa quantidade representa um aumento de 8,5% frente ao 1º trimestre de 2021, quando 25.588 cabeças foram abatidas, mas manteve-se praticamente estável frente ao 4º trimestre. O abate de frangos, com 7.723.389 unidades abatidas, também aumentou em relação ao 1º trimestre do ano passado. Foram 306.059 carcaças de frango a mais em 2022 em relação a 2021.

Subiu também a aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos sob algum tipo de inspeção sanitária (Federal, Estadual ou Municipal). No 1º trimestre de 2022, a aquisição de 91.887 mil litros representou aumento de 14,2% em relação ao 1° trimestre de 2021, e aumento de 4,2% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

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