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Aumento do preço de combustíveis desabastece Ceará de gás de cozinha

Dentre principais motivos está aumento promovido pela Petrobras na última, com preço médio da gasolina no País chegando...

Dentre principais motivos está aumento promovido pela Petrobras na última, com preço médio da gasolina no País chegando a R$ 7,47, o litro, segundo representantes de revenda de gás

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Último aumento ocorreu na sexta-feira da semana passada, dia 11 (Foto: Natinho Rodrigues)

Desde a confirmação do aumento dos combustíveis na semana passada, o Ceará e demais estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, estão com desabastecimento de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), o gás de cozinha.

Dentre os principais motivos está o mega-aumento promovido pela Petrobras na última sexta-feira, 11, com o preço médio da gasolina no país chegando a R$ 7,47 por litro, afirmam dois representantes de revenda de gás, na Paraíba e no Rio Grande do Norte.

Marcos Antônio, presidente do Sindicato dos Revendedores de Gás GLP da Paraíba (Sinregás PB), explica que o estado teve problemas com carregamento desde o dia do aumento.

“Na segunda-feira [14], começou a chegar um pouco de GLP pela manhã, mas quando foi à tarde deixou de chegar. Na manhã de ontem [15], chegaram apenas duas carretas de gás aqui, não chegando a 2.000 unidades. Está chegando carregamento fracionado. Me informaram que, de agora em diante, é por cota e não por quanto você quer comprar. Em todas as distribuidoras estão assim. Não me deram garantia para os próximos 10 dias.”

O Sinregás PB enfatiza que o fato está ocorrendo depois da notícia do aumento de 16% no preço do gás de cozinha e, diante disso, os distribuidores estão em alerta para a possibilidade de racionamento do produto na Paraíba e em algumas regiões do País.

Outro motivo, segundo o presidente Marcos, é o atraso de carregamento de GLP que chega ao Porto de Suape, em Pernambuco, responsável pelo abastecimento de alguns estados do Nordeste como Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

A expectativa era a de que o navio chegasse ontem em Suape para garantir a regularização do mercado dentro de um prazo de aproximadamente três dias, mas não foi o que aconteceu. O Complexo Industrial Portuário de Suape, onde está ocorrendo o atraso, não retornou as ligações do OPINIÃO CE.

Para o presidente do SinGás do Rio Grande do Norte, Francisco Correia, o prejuízo já é certo. “Esse desabastecimento já vem acontecendo desde o dia 10 de março. São, aproximadamente, R$ 1.500.00,00 brutos por dia. A informação que eu tenho é que isso só será normalizado em abril”, comenta.

O presidente dos revendedores de GLP do Ceará, Luciano Holanda, e a presidente dos revendedores de GLP de Pernambuco (Sinregás-PE), Francine Gulde, não responderam à reportagem até o fechamento desta edição. Também procurada, a Petrobras informou que está ofertando GLP para as distribuidoras em linha com a quantidade compromissada com elas para o mês de março.

“Cabe esclarecer que a Petrobras vende GLP para as companhias distribuidoras em pontos de fornecimento definidos nos contratos de compra e venda de GLP, entre eles Ipojuca (PE), e não tem controle sobre os mercados consumidores que as companhias distribuidoras escolhem para suprir a partir de cada um desses pontos de fornecimento”, explicou a companhia.

O economista Fábio Castelo Branco avalia que esse racionamento de gás, atrelado às elevações de preço das cotações das commoditys petróleo e GLP, será determinado pela “duração e a extensão do conflito entre Rússia e Ucrânia e também pelas soluções que serão encontradas para mitigar os efeitos econômicos da guerra.”

Sem vetos, foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União (DOU), na sexta, a Lei Complementar 192, de 2022, que altera a regra de incidência do ICMS sobre os combustíveis para ajudar a frear os preços nas bombas.

Na semana passada, a Petrobras anunciou novo reajuste, com alta de 18,8% para a gasolina e de 24,9% para o diesel, alguns dos produtos que mais inflacionaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos doze meses. Além das mudanças no ICMS, principal tributo estadual, o texto também altera os federais PIS/Pasep e Cofins, prevendo a isenção sobre combustíveis em 2022.

A norma é oriunda de substitutivo do Senado ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/20, do deputado Emanuel Pinheiro Neto (PTB-MT), aprovado pela Câmara na semana passada. As novas normas alcançam gasolina, álcool combustível, diesel, biodiesel e gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado do gás natural. O querosene de aviação ficou de fora.

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