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A relevância do Censo Demográfico 2022 para todo Brasil

Ceará deve ter uma população de 9,2 milhões de habitantes em 2022, conforme projeção inicial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cerca de um terço do quantitativo foi alcançado pelos recenseadores no Ceará
Foto: Divulgação

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

O Censo Demográfico 2022 já foi respondido por mais de três milhões de cearenses, em 1.018.081 domicílios, entre os dias 1º e 29 do mês passado, aponta o primeiro balanço da coleta de dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). No mesmo período, moradores de 23 mil lares (2,28%) recusaram a entrevista. A pesquisa segue até 31 de outubro.

O Ceará deve ter uma população de 9,2 milhões de habitantes em 2022, conforme a projeção do instituto divulgada anteriormente. Dessa forma, cerca de um terço do quantitativo já foi alcançado pelos recenseadores. Sobre esses e demais detalhes da coleta de dados do Censo 2022 que está sendo realizado no Ceará, o superintendente do IBGE no Estado, Francisco Lopes, exemplifica os principais desafios dos recenseadores e a importância para promover novas políticas públicas de forma efetiva, com números mais precisos e exatos, para os cearenses e brasileiros.

OPINIÃO CE – Quais foram os principais dados divulgados no balanço?
FRANCISCO LOPES – O IBGE divulgou os dados do balanço de 30 dias do Censo Demográfico no Ceará e no Brasil para este ano. No Ceará, o Censo contou mais de três milhões de pessoas entrevistadas e esse dado demonstra que nós já entrevistamos 1.018.000 domicílios. Também já recenseamos 12.605 indígenas e 5.665 quilombolas contados em nosso estado até então. Desde o início da operação, em 1º de agosto, até o dia 29 do mês passado, foram recenseadas 58.291.842 pessoas, em 20.290.359 domicílios no país. Destas, 36,51% estavam na região Nordeste, 35,51% no Sudeste, 11,87% no Sul, 9,44% no Norte e 6,67% no Centro-Oeste. São esses os principais dados até o momento.

OPINIÃO CE – Os agentes têm tido dificuldades nas entrevistas?
FRANCISCO LOPES – O Censo Demográfico é uma operação muito complexa, um desafio imenso de coleta de dados em todos os domicílios do país. Áreas urbanas, rurais periferias e nobres. Cada área dessa tem suas nuances, e isso faz-se necessário que o recenseador tenha uma boa abordagem, explicando a importância do Censo. É evidente que este ano estamos enfrentando algumas situações que necessitam uma maior sensibilização da população para fornecer os dados. O IBGE já está adotando essas providências e sensibilizando os cearenses e os brasileiros. É importante frisar que o Censo jamais vai divulgar dados individuais. Mesmo assim, esperamos sanar essas questões e entregar o Censo para os cearenses e brasileiros no prazo pré-determinado.

OPINIÃO CE – Quais as principais perdas para o Brasil esses dois anos de atraso do Censo? Que impactos a sociedade pode sofrer?
FRANCISCO LOPES – O IBGE deveria ter iniciado a coleta do Censo Demográfico no ano de 2020. Entretanto, em decorrência da pandemia, o instituto teve que adiar esse início. Esse adiamento ocorreu porque a pandemia estava forte e o IBGE, pensando no bem-estar do informante, aquele que recebe recenseador, e também dos seus servidores, adiou a coleta do Censo e repassou os recursos que estavam disponibilizados para o Censo para o Ministério da Saúde, para aplicar em ações sociais, ações de saúde do Brasil. No ano 2021, nós tentamos recompor o orçamento, mas infelizmente não foi recomposto. Agora, em 2022, desde o 1º de agosto, estamos trabalhando no sentido de concluir essa coleta no dia 30 de outubro. Estudos estatísticos mostram que tudo aquilo que deixou de ser coletado nos últimos dois anos, os indicadores retratarão com certa fidelidade.

OPINIÃO CE – Pela primeira vez, a população quilombola está participando do Censo. Como se decidiu a inclusão dessa população? Quais foram os critérios? Foi uma demanda dos movimentos sociais?
FRANCISCO LOPES – O Censo, pela primeira vez, está com questões específicas sobre as pessoas que se declararam indígenas. O IBGE, no entanto, sempre coletou dados, principalmente sobre etnia e cor da pele, caracterizados entre preto, pardo, branco, indígena e amarelo. No ano de 2022, em relação a indígenas, os agentes vão abrir um bloco especial com questões específicas para esses grupos: indígenas e quilombolas. Será um retrato mais profundo desses grupos, por isso é importante que essas pessoas respondam ao Censo para que consigamos retratar a verdadeira realidade brasileira.

OPINIÃO CE – O que você espera de contribuição do Censo 2022 para os próximos 10 anos?
FRANCISCO LOPES – Os dados do Censo Demográfico de 2022 são importantes para o Brasil, para os municípios e para os estados porque, por meio de seus dados, serão planejadas políticas públicas para a próxima década e isso vem para o bem-estar de toda a população. O Censo é fundamental nesse sentido também porque permite que todos os dados coletados apresentem o retrato da situação brasileira nesse momento e, evidentemente, teremos essas políticas públicas planejadas com base em dados atuais. Além disso, o Tribunal de Contas da União [TCU] poderá atualizar os coeficientes do fundo de participação dos municípios que é calculado em função da população, bem como as receitas que os municípios vão receber para investir na saúde, educação e em outras áreas. Outro ponto é que os dados permitirão que o número de vereadores para cada cidade, deputados federais e estaduais seja atualizado. Esses são alguns exemplos que trazemos para confirmar o quanto é importante responder ao Censo 2022 e nós convocamos toda a população cearense para respondê-lo.

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