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17 de julho de 2024

Defesa de autor da chacina em Camocim diz que cliente entregou atestado médico; polícia nega

O crime foi cometido na madrugada do domingo passado, 14
Foto: Reprodução Google Street View

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A defesa do inspetor de Polícia Civil Antônio Alves Dourado, 44, acusado confesso de assassinar, a tiros, quatro colegas no interior da Delegacia Regional de Camocim, no Litoral Leste do Estado, informou que o cliente apresentou atestado médico no qual foi prescrito afastamento, por 15 dias, devido a problemas de natureza psicológica, ligados diretamente ao exercício da profissão. A Polícia Civil, porém, nega, por meio de nota, ter recebido o documento.

“Não foi recebido atestado médico ou qualquer outra documentação solicitando afastamento do servidor no Departamento de Gestão de Pessoas. O policial tinha conhecimento dos trâmites de pedidos de licença, visto que consta em seus registros funcionais três licenças para tratamento de saúde — sendo duas por problemas na coluna, em 2019, e uma para tratamento de covid-19, em 2022”, disse a PCCE.

O crime foi cometido na madrugada do domingo passado, 14, quando o inspetor Antônio Dourado chegou a delegacia efetuando disparos, sem dar às vítimas a mínima chance de defesa. Foram mortos os escrivães Francisco dos Santos Pereira, Antônio José Rodrigues Miranda, Antônio Cláudio dos Santos e o inspetor Gabriel de Souza Ferreira.

MISSA

No final da manhã de sexta-feira, 19, foi celebrada a Missa de 7⁰ Dia, pelas almas das vítimas, no auditório da Superintendência da Polícia Civil, no Centro. A cerimônia religiosa contou com a presença de mais de 500 pessoas, entre familiares e colegas dos policiais assassinados. Um telão foi instalado no andar térreo da Polícia Civil, para mais pessoas pudessem assistir à missa, tendo em vista que o auditório estava lotado em sua capacidade máxima.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), também por meio de nota, informa que os policiais lotados na Delegacia Regional de Camocim estão recebendo apoio psicológico, em virtude de todos ainda estarem muito abalados com a tragédia.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol-CE), Tony Brito, ressalta que a tragédia deixou toda a categoria abalada e que a direção da entidade cobra constantemente, à cúpula da SSPDS, mais apoio psicológico aos profissionais de segurança pública, visto que é uma atividade muito estressante, na qual os trabalhadores enfrentam situações de agressividade e periculosidade. Atualmente, PCCE tem no seu efetivo 554 delegados, 1.065 escrivães e 2.528 inspetores, totalizando 4.147 agentes de segurança pública.

*Reportagem de Fernando Barbosa

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