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24 de julho de 2024

Declaração de Luizianne sobre Elmano causa mal-estar no PT e “nota de esclarecimento”

Nota de esclarecimento da deputada é divulgada após o episódio durante o lançamento oficial de sua pré-candidatura de Luizianne à Prefeitura de Fortaleza, no dia 15 de setembro
Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

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Uma declaração da deputada federal Luizianne Lins (PT) na última semana, quando oficializou sua pré-candidatura à Prefeitura de Fortaleza, sobre a trajetória política do hoje governador Elmano de Freitas (PT), gerou um mal-estar e troca de farpas entre membros do partido. Nesta segunda, 18, Luizianne se defendeu, em nota, divulgada nas redes sociais. “A eleição do governador Elmano de Freitas é resultado de um caminho construído desde 2005, quando assumiu a Prefeitura de Fortaleza, criando as bases e as condições políticas para romper com estruturas de poder consolidadas”, disse.

Na última sexta-feira, 15, a pré-candidatura destacou sua relação com o governador, defendeu que sua gestão retomou o ciclo de legendas do campo da esquerda e que, sem isso, segundo ela, Elmano não seria governador. “Porque se a gente tivesse se submetido às estruturas de poder tão fincadas, hoje a gente não estaria nesse processo de disputa na verdade. Hoje sequer o nosso companheiro Elmano era governador porque precisou que a gente solidificasse as bases lá atrás, lançasse o companheiro em 2012″, disse, na oportunidade.

O líder do PT na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), o deputado De Assis Diniz, se pronunciou em relação à fala da parlamentar. Segundo ele, “Elmano está onde está por sua própria liderança”. 

“A militância no PT o credenciou, o fato de você querer imputar a uma liderança uma indicação e ter reciprocidade em tudo na vida. Nós tivemos ao longo de todo esse processo interno no partido sempre a liberdade para que os novos quadros pudessem ter suas avaliações. O Elmano está onde está por sua própria liderança, não é o fato dele ter tido uma oportunidade que o vai fazer refém de todo processo. Se ele hoje é governador, ótimo que ele tenha tido uma oportunidade de se apresentar antes, mas se não fosse o Camilo e o PT o escolhendo, ele não teria tido a oportunidade”, pontuou.

O deputado acrescentou que o partido não pode ficar “refém de uma única liderança” e que os nomes vão se credenciando “por forças internas e capacidades”. “É natural que ela possa estar colocando essa indicação dele ter sido candidato (em 2012), mas foi a história de vida dele no parlamento, na relação com os movimentos sociais, por ser advogado do MST que o credenciou para ser o nome escolhido para governar”, avaliou. De Assis acrescentou que Luizianne é um grande quadro da legenda e que, com diálogo, será possível a unidade na escolha do nome de 2024.

Também pré-candidata à Prefeitura, a deputada estadual Larissa Gaspar defendeu um nome próprio do partido para a disputa e, sem citar nomes, defendeu “renovação” na legenda. Em fala enfática, compartilhada nas suas redes sociais, no domingo, 17, a parlamentar destacou que o PT “não tem dono e nem dona” e que é hora de unir forças para ouvir as demandas da população e apresentar propostas eficazes para enfrentar os problemas históricos enfrentados pela cidade. “Fortaleza quer renovar, quer uma gestão que enfrente os reais e históricos problemas do povo”, ressaltou, enfatizando a necessidade de trazer novas ideias para solucionar questões antigas.“Para velhos problemas, novas ideias”, afirmou.

LUIZIANNE

Nota da deputada Luizianne Lins inclui que o processo de rompimento com estruturas de poder consolidadas foi “liderado por um grupo democrático e progressista, do qual o governador fez parte, abriu caminhos e criou um ambiente favorável à candidatura do governador Elmano em 2012 e, posteriormente, à sua eleição em 2022”. Em 2012, Elmano foi candidato à Prefeitura de Fortaleza, obtendo quase 600 mil votos no segundo turno, mas perdeu para Roberto Cláudio (PDT). O governador venceu uma disputa interna no PT com outros 12 pré-candidatos e tinha a preferência da então prefeita Luizianne.

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