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24 de julho de 2024

De que maneira as chuvas afetam a infraestrutura de Fortaleza

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Com elevado número de chuvas, Capital sente impactos em sua infraestrutura. Especialistas comentam razões de transtornos típicos da quadra chuvosa

Giovana Brito
Especial para OPINIÃO CE
giovana.brito@opiniaoce.com.br

Se a previsão afirma que irá chover, os sentimentos dos cearenses são diversificados. “São as águas de março fechamdo o verão”, como na canção de Tom Jobim. Nas regiões tropicais, em qualquer lugar do Planeta, chove sempre no verão.

As áreas urbanas sentem o maior impacto pela degradação quando as chuvas se intensificam. Fortaleza teve no início da semana o maior número de chuvas dos últimos três anos: foram 135 milímetros apenas na região do Caça e Pesca. O último valor registrado foi no dia 15 de abril de 2019, com 149 milímetros apontados pelo posto Fundação Maria Nilva na Água Fria.

Nas cidades cada vez mais impermeabilizadas e entulhadas de lixo, a população e o poder público frequentemente se espantam com a força das enxurradas, o poder da água para liquefazer barrancos e a altura a que podem chegar as inundações.

Como a Capital não é uma cidade planejada, a falta de conexão entre os projetos que são realizados dificulta a forma de ordenar a Cidade, sobretudo quando há chuva.

“Com certeza é falta de planejamento. Na verdade, não é que não houve planejamento, mas o planejamento feito não deu conta do crescimento da Cidade, além de aspectos que não eram considerados adequados anteriormente e, por terem sido subestimados, ocasionaram grandes problemas. O crescimento desordenado e explosivo por que Fortaleza passou principalmente na segunda metade do século XX foi superior à capacidade de controle do Executivo Municipal e, por isso, corpos hídricos foram aterrados, canalizados, margens foram devastadas ou invadidas. Tudo isso tem consequências. E, quando a Natureza age, uma reação vai ocorrer”, afirma o arquiteto e urbanista José Otávio.

Para o doutor em Engenharia de Transportes pela Universidade de São Paulo (USP), Iuri Sidney, existem ações que poderiam ser tomadas para evitar esses problemas. “A razão dos alagamentos e enchentes e buracos pode ser reflexo da falta de outros tipos de planejamento, como por exemplo uma gestão das obras realizadas, a partir de boas práticas de manutenção e conservação das vias. É importante fazer o monitoramento dessas vias e tomar decisões estratégicas quanto a intervenções que as mantenham em bom estado.”

AÇÕES SÃO BÁSICAS
Na Capital as intervenções para sanar os impactos das chuvas são consideradas básicas. “É comum em grandes cidades as melhorias serem feitas de forma muito simplista, como os tapas buracos. Isto não resolve o problema a longo prazo. Precisa fazer um estudo mais detalhado para uma intervenção mais robusta”, afirma o engenheiro.

As alternativas para redução de desastres ambientais relacionados às chuvas também levam em consideração a pavimentação das ruas. “Quando se pensa na infraestrutura de fato, visando principalmente ao controle de enchentes, existem soluções alternativas aos tipos de pavimentos que podem ser utilizados e que são capazes de reduzir o acúmulo de águas”, acrescenta.

Na região rural, fora da Cidade, também há enxurradas, inundações e deslizamentos de morros. Mas são exceção, não regra. As precipitações caem sobre solos permeáveis, frequentemente cobertos com palhada para reduzir o impacto das gotas e protegidos por curvas de nível para conter a erosão. As águas infiltram mais do que escorrem.

Nas cidades pequenas, é oferecido somente o necessário à sua população, e isso contempla serviços de saneamento e escoamento adequado para a água.

O Brasil tem histórico de risco de desastres devido à chuva. Entre 1º e 31 de dezembro de 2021, a equipe técnica do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu 516 alertas de risco de desastres de origem geo-hidrológica, como deslizamentos de terra e inundações, para os 1.058 municípios monitorados atualmente pela instituição em todo o País. Desse total, 163 concretizaram-se em ocorrências.

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