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24 de julho de 2024

Custos e juros repercutem na construção civil no Ceará

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A CBIC informou que inflação registrada para materiais e equipamentos usados pelo setor ficou em 51,21% entre janeiro de 2020 e março de 2022

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Setor reclama de impactos, que são negativos (Foto: Natinho Rodrigues)

O aumento dos preços dos insumos da construção civil persiste em todo o Brasil. Há sete trimestres consecutivos, o problema é motivo de preocupação tanto para os empresários quanto para as entidades. Além da alta dos materiais, a taxa de juros é outro problema que repercute no setor.

Estas são algumas conclusões do estudo “Desempenho Econômico da Indústria da Construção – primeiro trimestre de 2022”, divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), na última segunda-feira, 25, em coletiva de imprensa.

Tendo por base o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), a CBIC informou que a inflação registrada para materiais e equipamentos usados pelo setor ficou em 51,21% entre janeiro de 2020 e março de 2022. Ainda de acordo com a pesquisa, a falta ou o alto custo de matéria-prima foi o principal problema citado por 46,7% dos empresários. A taxa de juros elevada tem sido um problema crescente também e foi destacada por 26,7% dos entrevistados.

Segundo a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, este foi o maior patamar desde o segundo trimestre de 2017, que era de 27,9%. “Em relação a março de 2021, que era 11,6 pontos, a alta foi de 15,10 pontos. Este foi o problema que apresentou o maior incremento, na comparação do primeiro trimestre de 2022 em relação a igual período do ano anterior”, analisou.

Já a falta ou alto custo de trabalhador qualificado foi relatada por 18,2%. De acordo com o estudo, este é o percentual mais alto desde o primeiro trimestre de 2015.

No Ceará, como a maioria dos itens básicos do consumo das famílias, os insumos da construção tiveram os preços em altas consecutivas mês a mês nos dois últimos anos no Ceará e no Brasil.

É o que avalia o economista Fábio Castelo Branco. Segundo o especialista, essa pressão inflacionária acarretou a elevação no valor do m² construído no Estado, por exemplo, onde nos últimos 24 meses saiu de R$ 1.082,07 para R$ 1.422,67, uma variação de 31,48%. “Um dos principais motivos desta variação nos preços dos m2 construídos foi a elevação dos insumos para o setor, em especial o aço, que variou 120%”, revela.

JUROS MAIS ELEVADOS
Outro fator relevante, segundo o economista, são as taxas de juros mais elevadas para financiamento habitacional que há dois anos, por exemplo, torna o crédito mais caro e difícil para o consumidor. “Além disso, para este ano, existe um fator adicional para o segmento, o aumento do custo da mão de obra na ordem de 10% que irá contribuir para a elevação do custo da obra das construtoras, consequentemente no preço do imóvel”, acrescenta Fábio.

O cenário de incerteza da economia para o restante do ano faz com que as empresas do setor não possam realizar um planejamento adequado como a alguns anos atrás. Patriolino Silva, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon), afirma que a entidade está relutante quanto ao aumento dos insumos, principalmente do aço, que mais que dobrou.

“Tiveram alguns materiais que cresceram exacerbadamente, como é o caso do aço, que mais do que dobrou em 12 meses. Cimento e tubos de conexões também aumentaram muito. Fazemos projeções, lançamentos, cobrimos uma viabilidade, mas isso fica bastante complicado com essas variações de preço. Fizemos uma projeção de R$ 2,5 milhões para o setor no Ceará este ano, mas, se continuar com esse aumento, teremos que rever esse número”, pondera Patriolino.

CUSTOS DOS INSUMOS
O indicador de preço médio dos insumos rompeu a sequência de dois resultados de recuo e voltou a apresentar aumento no 1º trimestre deste ano. O índice de evolução do preço médio dos insumos e matérias primas, de acordo com a Sondagem, passou de 70 pontos, no 4º trimestre de 2021, para 75 pontos de janeiro a março de 2022. Isso significa, segundo o levantamento, que a percepção do empresário com o aumento dos custos ficou mais forte nos primeiros meses de 2022.

Contudo, apesar do alto custo dos insumos, o estudo aponta que a confiança do empresário do setor se mantém em patamar elevado. O Índice de Confiança do Empresário da Construção em abril deste ano chegou a 55,5 pontos. Em relação ao mês de março, o indicador manteve estabilidade (55,3 pontos).

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