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Roberto Galvão revisita o preto em exposição inédita com 114 obras em Fortaleza

Mostra “UNA” abre neste sábado (29), no Museu da Cultura Cearense, e reúne 98 trabalhos sobre papel, 14 esculturas e duas telas; visitação segue até 1º de novembro com entrada gratuita
Exposição “UNA” reúne trabalhos sobre papel, esculturas e telas do artista cearense Roberto Galvão no Centro Dragão do Mar. Foto: Jeová Siebra/Divulgação

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, recebe a partir deste sábado (29) a exposição “UNA”, do artista cearense Roberto Galvão. A abertura acontece às 10h, no Museu da Cultura Cearense, onde a mostra ocupará as duas galerias do equipamento.

Ao todo, serão apresentadas 114 obras, sendo 98 trabalhos sobre papel, 14 esculturas e duas telas. A exposição poderá ser visitada até 1º de novembro, com entrada gratuita. O título “UNA” é um sufixo de origem nheengatu que significa preto ou negro. A escolha representa uma mudança na trajetória recente do artista, que retoma o preto como matriz de sua criação após uma sequência de trabalhos marcada pela exploração de diferentes cores.

A proposta surge depois das exposições “Jardim Interior”, de 2023, e “Sertão Galvão”, de 2024. Em “UNA”, Roberto Galvão retorna a uma linguagem que também esteve presente nas décadas iniciais de sua trajetória e em exposições como “Black White” e “Mato Branco”, realizadas nos anos 2000.

Preto como elemento de criação

A exposição tem curadoria de Kadma Marques, curadoria adjunta de Júlio Mesquita e expografia de Túlio Paracampos. Para Kadma Marques, o artista explora as possibilidades da cor preta como elemento de criação e estabelece uma relação entre sua produção artística e a identidade nordestina.

“Galvão revela a fertilidade imaginativa da cor preta como elemento plástico de onde brotam nascimentos e metamorfoses. É assim que a universalidade dessa poética visual repercute na percepção da condição nordestina: reposicionar o valor da cor preta habilita nosso olhar a descobrir a beleza que habita nas paisagens e nas pessoas que vivem a região”, afirma a curadora.

Júlio Mesquita destaca a presença de elementos orgânicos nas obras, como flores, folhas e galhos, construídos por meio do desenho, da linha, da hachura e das relações entre luz e sombra. “Nas obras reunidas, flores, folhas, galhos e estruturas orgânicas surgem através do desenho, da linha, da hachura e da relação entre luz e sombra. Ora o preto constrói a imagem sobre o branco; ora o branco emerge do campo escuro. Nesse jogo, os opostos deixam de ser absolutos e passam a revelar-se mutuamente”, explica.

Trajetória internacional

Roberto Galvão é graduado e mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Na universidade, defendeu a monografia “A Escola Invisível: Artes Plásticas em Fortaleza (1924-1958)”. Sua trajetória artística ultrapassou as fronteiras do Ceará e do Brasil. Ao longo da carreira, o artista participou de exposições em países como Argentina, Cuba, Uruguai, Portugal, Espanha, Polônia, França, Alemanha e Bulgária.

Serviço

Exposição “UNA”, de Roberto Galvão

  • Abertura: 29 de agosto, às 10h
  • Local: Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Fortaleza
  • Período: 29 de agosto a 1º de novembro de 2026
  • Visitação: quarta a sábado, das 9h às 18h30; domingos e feriados, das 10h às 19h
  • Acesso: gratuito