O espetáculo “Hecatombe”, criação da Turma Noite 2025 do Curso de Princípios Básicos de Teatro (CPBT) do Theatro José de Alencar (TJA), volta ao palco principal da casa no próximo dia 27 de março, às 20h, em apresentação que marca o Dia Mundial do Teatro.
Após uma estreia com recepção expressiva do público, a montagem retorna com ajustes na sonoplastia e na dramaturgia, resultado de um processo ainda em amadurecimento. A atração é indicada para o público a partir de 12 anos, com entrada no valor de 10 reais a meia e 20 a inteira, à venda no sympla e nas bilheterias físicas.
Dirigida por Neidinha Castelo Branco, a peça é fruto de uma construção coletiva que começa ainda em sala de aula. Segundo a diretora, o percurso pedagógico do CPBT é estruturado para que os próprios alunos desenvolvam, de forma conjunta, os caminhos da encenação.
“Trabalhamos desde jogos teatrais e percepção corporal até a leitura de textos clássicos e pesquisa sobre a história do teatro. Na etapa final, os alunos definem as ‘urgências sociais que mais os atravessam, e é a partir disso que nasce o espetáculo”, explica.
O poço
Em cena, “Hecatombe” apresenta um universo distópico centrado no Poço: um espaço que funciona como purgatório, consumindo os corpos exauridos e devolvendo apenas aqueles ainda aptos ao trabalho.

Os chamados Flagelados seguem, cegamente, a promessa de um Oásis, enquanto são controlados por Lideranças e por Crianças, figuras que simbolizam poder e manipulação. O ciclo de exploração se repete até ser tensionado por uma revelação que ameaça romper a lógica estabelecida.
Referências
A montagem se apoia em referências do Teatro do Absurdo e do Expressionismo, mas evita a construção de personagens individuais. “Os personagens são coletivos, organizados em blocos de interpretação. A ação dramática acontece no jogo entre esses corpos”, detalha Neidinha.

Obras como “O Rinoceronte”, de Eugène Ionesco, servem de base estética e dramatúrgica, enquanto elementos expressionistas aparecem na luz, nos gestos e na caracterização.
Discussões atuais
Mais do que uma experiência estética, o espetáculo busca provocar o público diante de questões contemporâneas. Para a diretora, a peça dialoga diretamente com o cenário atual.
“Vivemos um momento de risco. O avanço do fanatismo religioso na política, a banalização da violência, a intolerância à diversidade e até a possibilidade de destruição em escala global nos colocam diante de um ciclo de medo. ‘Hecatombe’ fala sobre isso”, afirma.
Ajustes e afinações
A nova apresentação também carrega marcas do percurso recente da montagem. Após estrear em dezembro e ter uma apresentação cancelada em janeiro, o grupo retorna agora com pequenas mudanças.

“Como é um espetáculo recente, ele ainda passa por ajustes e afinações. Esse processo faz parte do próprio desenvolvimento da obra”, pontua a diretora.
Criado em 1991, o CPBT é uma iniciativa do Theatro José de Alencar em parceria com as Secretarias da Cultura (Secult) e da Educação (Seduc) do Ceará. Voltado para a formação de jovens e adolescentes, o curso alia prática artística e formação cidadã, estimulando a reflexão crítica e o engajamento social por meio do teatro.
