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Ciclo Carnavalesco de Fortaleza deve gerar 6 mil empregos, projeta secretária

Helena Barbosa, em entrevista ao Opinião CE, destacou a descentralização das festas, fortalecimento da cultura nas periferias e impacto econômico do setor
Foto: Hellynara Fernandes/Opinião CE

O Ciclo Carnavalesco de Fortaleza deve gerar mais de 6 mil empregos diretos e indiretos em 2025, segundo projeção da secretária municipal da Cultura, Helena Barbosa. A estimativa foi apresentada durante entrevista ao podcast Questão de Opinião, do Opinião CE, em meio às discussões sobre a organização do Carnaval promovido pela Prefeitura da Capital.

Muito demandada neste início de ano para tratar do tema, a titular da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) tem destacado a ampliação e a descentralização das festividades, que neste ano ultrapassam os dez polos tradicionais. De acordo com Helena, a diretriz segue orientação da gestão do prefeito Evandro Leitão (PT) e não se limita ao período carnavalesco, alcançando outras manifestações culturais ao longo do ano.

A secretária lembrou que as festas juninas já vêm sendo realizadas de forma descentralizada e avaliou que a população começa a perceber a mudança de postura do Executivo municipal. Segundo ela, a política de levar programação cultural para as periferias fortalece a relação de confiança entre poder público e comunidade. “Quando conseguimos linkar o pensamento com a prática, você inicia uma relação de credibilidade, vínculo e confiança com a população”, afirmou.

Para Helena, o sentimento nas comunidades passou da descrença para a expectativa concreta de receber estrutura e programação cultural.

A entrevista com a secretária, na íntegra, está disponível no canal do Opinião CE no YouTube.

Cultura na Calçada

Na avaliação da gestora, a descentralização não deve se restringir a eventos de grande porte, como Carnaval e São João. Ela defendeu investimentos permanentes nos territórios, como forma de garantir legado, formação cultural e pertencimento. “Carnaval é maravilhoso. Todo território merece ter uma grande projeção na grande mídia, mas também merece investimentos cotidianos. As duas coisas precisam acontecer de forma conjunta”, pontuou.

Dentro dessa estratégia de fortalecimento da cultura nos bairros, Helena detalhou o programa Cultura na Calçada, política anunciada pela Prefeitura de Fortaleza no ano passado. A iniciativa percorreu as 12 regionais da Capital com o objetivo de mapear a produção cultural local e estruturar ações de apoio direto aos artistas.

Pelo programa, cada Regional contará com um profissional de cultura responsável por auxiliar artistas e coletivos em processos como inscrição no Mapa da Cultura e elaboração de projetos para editais. A Prefeitura também prevê a aquisição de kits com equipamentos de som, iluminação, projetor e telas, que poderão ser utilizados pelos artistas das comunidades.

Foto: Hellynara Fernandes/Opinião CE

Ainda por meio do Cultura na Calçada, serão selecionados 156 grupos culturais – 13 de cada Regional – que realizarão apresentações em festivais distribuídos pela cidade, com prioridade para atuações em seus próprios territórios. Segundo Helena, os cachês devem variar entre R$ 4,5 mil e R$ 12 mil por grupo, o que, na avaliação da gestora, representa uma possibilidade concreta de fortalecimento da cadeia produtiva local.

A Secretaria finaliza o processo de seleção da Organização da Sociedade Civil (OSC) que fará a gestão do projeto, com previsão de abertura das inscrições para os artistas a partir de março.

Investimento estratégico

Durante a entrevista, a secretária também defendeu a cultura como investimento estratégico, e não como gasto. Ela destacou que a gestão municipal tem buscado produzir dados e pesquisas para mensurar os impactos econômicos do setor. Conforme levantamento citado por Helena, a cada R$ 1 investido em cultura, R$ 6 retornam para os cofres públicos.

No Carnaval de 2025, a Prefeitura contabilizou um público próximo de 1,5 milhão de pessoas, incluindo turistas de estados como São Paulo e Minas Gerais. De acordo com a secretária, o fortalecimento da programação tem contribuído para atrair visitantes de outras regiões do país e, ao mesmo tempo, estimular os fortalezenses a permanecerem na cidade durante o período festivo. No ano passado, o ciclo carnavalesco gerou cerca de 5 mil empregos. Para este ano, a expectativa, segundo Helena Barbosa, é superar a marca de 6 mil postos de trabalho.