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Cordelteca do Ceará participa do Congresso Internacional de Literatura de Cordel

O trabalho “Cordelteca Arievaldo Viana: experiências na Biblioteca Pública Estadual do Ceará, será apresentado neste quarta-feira (26)
A bibliotecária Regina Célia Paiva, e a técnica em biblioteconomia Vitória Santiago, apresentarão às 12:30. Foto: Ascom Bece

A Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece) participa, nesta quarta-feira (26), do I Congresso Internacional de Literatura de Cordel e do II Congresso Brasileiro de Literatura de Cordel, promovidos pela Fundação Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Para celebrar essa importante demonstração cultural cearense, o Opinião CE traz a série de matérias especiais Cordel Nordestino: a tradição que superou gerações”, mostrando a prevalência da escrita e do consumo de cordel no Ceará. 

A bibliotecária responsável pelo Setor Obras Gerais – Coleção Ceará, Regina Célia Paiva, e a técnica em biblioteconomia do mesmo setor, Vitória Santiago, apresentarão, em formato online, o trabalho “Cordelteca Arievaldo Viana: experiências na Biblioteca Pública Estadual do Ceará”.

A apresentação destaca as ações desenvolvidas pelas profissionais na preservação, pesquisa e dinamização da literatura de cordel no âmbito da Bece. Regina Paiva aponta a alegria de ver o trabalho ganhar visibilidade:

 “O sentimento é de contentamento e realização por ver o nosso trabalho do dia a dia sendo reconhecido e divulgado em um evento de proporção internacional. Estamos muito felizes. Sinto que a literatura de cordel está tendo destaque e sendo valorizada.”

A Bece é um espaço da Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult-CE), gerido em parceria com o Instituto Dragão do Mar (IDM).

ESPAÇO DEDICADO AO CORDEL

Desde o dia 28 de agosto de 2024, a capital cearense conta com um espaço dedicado à literatura de cordel e aos autores cearenses que fizeram história e mantêm o gênero literário vivo e pulsante. A Cordelteca, no seu início, contou com 1.192 títulos e mais de 1.600 exemplares, entre obras clássicas e contemporâneas.

O espaço, que faz parte do setor Coleção Ceará, homenageia o cordelista cearense Arievaldo Viana (1967-2020), um dos grandes nomes da história recente do cordel no Estado.

Além da vasta produção – cerca de 30 livros e mais de 150 folhetos de cordel -, Arievaldo foi responsável por revitalizar e difundir o gênero nas escolas cearenses, por meio do projeto “Acorda Cordel na Sala de Aula”.

AUMENTO DA PROCURA POR CORDEL

O espaço foi criado devido a uma alta demanda de turistas e cearenses em buscas de cordéis na biblioteca do Ceará.

Regina Célia explica que a demanda por um espaço voltado para a literatura de cordel aumentou depois da reinauguração da biblioteca, em 2021, e que o movimento veio não só de cearenses que frequentam o local, mas também de turistas que conhecem a Bece durante visitas ao Dragão do Mar.

“As pessoas chegavam e perguntavam onde estavam os cordéis, então a gente achou que seria bom colocá-los em um espaço mais adequado, até por ser um material mais sensível”, explica Regina. Por serem frágeis, os folhetos da Cordelteca não podem ser locados, mas podem ser conferidos na própria Bece.

VALORIZAÇÃO DE MULHERES CORDELISTAS

Além de ofertar um espaço dedicado à literatura de cordel na região central da Cidade, a Cordelteca da Bece supre outra necessidade: a valorização das mulheres cordelistas. No espaço, além de uma área dedicada às obras de Arievaldo, há um setor exclusivo para a produção feminina, com títulos de 50 autoras do Estado.

Intitulada Espaço Josenir Lacerda, em homenagem à famosa cordelista do Crato, a seção conta com obras de artistas como a fortalezense Vânia Freitas e a paraibana Maria das Neves Baptista, a primeira mulher a publicar folhetos de cordel no País. A biblioteca também recebe, periodicamente, lançamentos de cordéis.

“Qualquer cordelista que queira fazer o lançamento do seu cordel pode procurar o setor de programação da Bece e será feito o encaminhamento”, destaca Regina Célia. A ideia, segundo ela, “é que a cadeia produtiva do cordel tenha espaço garantido na biblioteca”.