Apreciar as belezas das comidas, apresentações artísticas e quadrilhas juninas no mês de junho é um dos hábitos culturais preferidos dos fortalezenses, revelados pela mais recente edição da pesquisa Cultura nas Capitais.
O estudo foi apresentado na última quinta-feira (15), na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (Bece), no Seminário Cultura nas Capitais. Em Fortaleza, como destaca o levantamento, as festas juninas são mais frequentadas do que o Carnaval.
Das pessoas entrevistadas, 24% afirmaram ter ido a festas juninas nos 12 meses anteriores à pesquisa. Apenas 13% disseram ter participado de atividades relacionadas ao Carnaval.
As movimentações, que começam a acontecer até mesmo antes de junho e seguem após o mês junino, são fortes em todo o Estado do Ceará.
Para a dançarina quadrilheira, publicitária e pesquisadora de Quadrilhas Juninas, Juliana Hermenegildo, pensar a festa junina em Fortaleza é pensar a festa no cenário urbano e como esses aspectos se relacionam, pois trazem impacto econômico e social.
Em Fortaleza e na Região Metropolitana, dois grandes festejos juninos reúnem milhares de pessoas anualmente, o São João de Maracanaú e o São João de Fortaleza. Dentro dos festejos de junho, as Quadrilhas Juninas se destacam como um das frentes que mais movem o fortalezense.
Conforme a doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará, o Estado é um celeiro de grandes nomes, exportando profissionais para outros estados da Região Nordeste, e tem se tornado também um destino turístico no ramo.
“Não podemos deixar de lado os agentes culturais, presidentes de quadrilhas e os próprios brincantes. Pessoas que, de fato, fazem os festejos juninos acontecerem e mantêm viva a cultura do São João para além de meramente shows de artistas”, pontua Juliana. “São meses de ensaios, muitas pessoas envolvidas, muito dinheiro investido. É a apresentação desses grupos que chama o público para praças e ruas por toda a cidade”, ressalta a pesquisadora ao Opinião CE.
Ela recebeu o resultado da pesquisa com alegria, mas vê um aspecto muito mercadológico, e espera que esses resultados tragam, na verdade, mais incentivo cultural. As Quadrilhas Juninas em Fortaleza se mantêm, sobretudo, pelos próprios investimentos dos brincantes e organizadores dos grupos. Seja do próprio bolso ou por meio de ensaios com cobrança de ingressos, rifas e outras movimentações, como parcerias privadas.
“Esse é o São João que as pessoas querem ver: os vestidos, a musicalidade, o casamento matuto, as comidas tradicionais que são tão presentes nessa época. E tudo só acontece se tiver um festival de quadrilha para que tudo gire em torno desse evento”, complementa Juliana. Ela ressalta, no entanto, que o falecimento de grandes nomes do movimento junino, ausência de incentivo público e aumento da violência urbana são fatores que as festas juninas, em especial as periféricas, enfrentam para se permanecerem na cidade.
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LEVANTAMENTO
A pesquisa é o maior levantamento sobre o tema já produzido no Brasil, que analisou o comportamento dos moradores das 26 capitais brasileiras e do Distrito Federal. Conforme a pesquisa, a população de Fortaleza demonstra alto interesse em cultura, no entanto, enfrenta desafios no acesso e na consolidação de referências culturais claras.
A capital cearense teve queda em todas as 12 atividades culturais analisadas nas duas edições da pesquisa (2017 e 2024), com destaque negativo para dança, cinema e bibliotecas, que caíram cerca de 10 pontos percentuais.
METODOLOGIA
Na edição deste ano da pesquisa Cultura nas Capitais, foram ouvidas 19.500 pessoas, moradoras de todas as capitais brasileiras, dos 26 estados brasileiros, além de Brasília, com idade a partir de 16 anos, de todos os níveis socioeconômicos, entre os dias 19 de fevereiro e 22 de maio de 2024. As pessoas foram abordadas pessoalmente em pontos de fluxo populacional.
Os pesquisadores foram distribuídos por 1.930 pontos de fluxo (entre 40 e 300 por capital), em regiões com diferentes características sociais e econômicas. Os entrevistados respondiam até 61 perguntas, além das relacionadas a características sociais e econômicas (como escolaridade, cor da pele, etc.). O instituto responsável pelo estudo é o DataFolha.
Além da pergunta sobre renda, a pesquisa também adotou o Critério Brasil de Classificação Econômica, um instrumento de segmentação econômica que utiliza o levantamento de características domiciliares (presença e quantidade de alguns itens domiciliares de conforto e grau de escolaridade do chefe de família) para diferenciar a população em classes: A, B, C, D ou E (Fonte: ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa).
JLEIVA CULTURA E ESPORTE
Jleiva é uma consultoria especializada em concepção, planejamento, execução, análise e disseminação de dados e informações sobre o setor cultural no Brasil. Conduz estudos, mapeamentos e benchmarking para empresas privadas, instituições públicas e organizações sociais com atuação em cultura e esporte, como Fundação Itaú, Fundação Roberto Marinho, Vale, British Council, Vale, Nike, Museu do Amanhã e Instituto Goethe. Desde 2010, realiza pesquisas de hábitos culturais, consolidando-se como referência nessa área.
