O espetáculo “Mulheres Búfalas” estreia nesta sexta-feira (21), às 19h30, no Teatro Universitário Paschoal Carlos Magno (TUPA). Entrelaçando a dramaturgia negra com o teatro, a dança e o circo, a peça narra a resistência e a potência da maternidade negra no Brasil. O trabalho é fruto da pesquisa das artistas Ana Paula Prudêncio e Érica Vieira, que investigam a trajetória da maternidade negra desde a diáspora africana até a contemporaneidade.
O nome do espetáculo é inspirado na mitologia da Orixá Iansã (a mulher-búfala), que representa a potência, força e fúria de uma mãe diante das injustiças. Iansã sai para caçar, mas deixa os chifres com seus nove filhos. Os instrumentos servem para convocar a mãe, que volta furiosa para defender suas crias. A peça se inspira em histórias reais de mulheres que enfrentaram as injustiças do Estado com coragem e determinação e traz o reconhecimento das artistas como herdeiras dessa luta.
A dramaturgia transita entre a realidade e a simbologia, com o resgate de narrativas de resistência e de enfrentamento das estruturas opressoras que ainda marcam o país. A peça terá novas exibições nos dias 13 e 14 de março, no TUPA, localizado na Avenida da Universidade.
MÃES REAIS
A peça apresenta figuras emblemáticas como Marli Pereira Soares, a “Marli Mulher”, que, durante a ditadura militar, desafiou o sistema ao exigir justiça pelo assassinato de seu irmão. Assim como as Mães do Acari, que enfrentaram ameaças ao investigar por conta própria o desaparecimento de seus filhos e outros jovens em Magé, no Rio de Janeiro. O espetáculo também retrata a luta das Mães do Curió, que buscaram justiça pelos jovens assassinados em chacina na Grande Messejana, em Fortaleza, em 2015.
A montagem propõe uma reflexão sobre o maternar negro em um contexto político-estrutural que perpetua desigualdades, ao mesmo tempo, em que traça novas rotas de resistência e transformação. No palco, Prudêncio e Vieira celebram a resiliência dessas mães e a urgência de uma sociedade mais justa para crianças negras, permitindo-lhes sonhar e crescer com dignidade, criando um manifesto artístico e político que ecoa a força ancestral e contemporânea da maternidade negra.

Outras apresentações estão previstas para ocorrer no mês de março, na Vila das Artes, sendo sempre gratuitas, e com intérprete de libras e audiodescrição. A peça é viabilizada por meio da política de fomento e incentivo à cultura contemplada pelo edital para as Artes com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG).
