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MIS promove roda de conversa sobre violência contra a mulher neste sábado (9)

A jornalista Andressa Meireles, idealizadora do O Que Não Nos Disseram, aborda a representação que mulheres violentadas sofrem.
Divulgação

O Museu da Imagem e do Som (MIS) realiza, neste sábado (9), uma roda de conversa sobre violência contra a mulher, que será conduzida pela jornalista baiana Andressa Meireles, idealizadora do projeto “O que não nos disseram”. A programação é gratuita e está marcada para iniciar às 18h. O debate é voltado à reflexão de como a violência e as mulheres que passam por agressões são representadas. A convidada Andressa vai trazer questionamentos e compartilhar histórias de superação, além de apresentar o projeto. Em abril, a exposição interativa estará disposta no MIS, que exibirá fotografias e histórias de 15 personagens, buscando ressignificar as situações de violência, transformando em arte e transmitindo informação.

Em março, além de se comemorar o Dia Internacional da Mulher, a exposição “O que não nos disseram” completa 4 anos de existência. O projeto artístico busca mostrar a força, beleza e coragem de mulheres que foram vítimas de violência. A criação do projeto surge da vontade da jornalista Andressa Meireles em conhecer e partilhar histórias de mulheres que foram vítimas de violência, assim como ela também sofreu. A proposta é tornar essas mulheres protagonistas de suas histórias, enaltecendo suas potencialidades e não reduzindo elas aos seus casos de agressão. São realizadas fotografias e relatos de suas histórias.

Enquanto planejava a abordagem do projeto, Andressa percebeu que as vítimas eram estigmatizadas, além da violência contra as mulheres ser reduzida apenas à física. Por isso, ela produziu um documentário, com o mesmo nome, contado histórias de vítimas e discutindo a violência para além da física. A partir dessa produção audiovisual, o projeto recebeu um convite da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na III Conferência Nacional da Mulher Advogada para uma exposição, em 07 de março de 2020, data que marca o lançamento do projeto.

“A gente está enfrentando violência sob uma nova perspectiva da vida e da esperança, para que outras mulheres não permaneçam em violência, para que outras mulheres também encontrem apoio, então a gente faz quatro anos de projeto, que nasceu de uma dor particular”, declara Andressa.

Segundo ela, o processo para encontrar as tantas histórias descritas – o projeto já teve participação de 36 mulheres – é diverso. Em 4 anos, participaram das buscas das histórias a Defensoria Pública do Estado, a OAB e amigos, que indicam mulheres para participarem das exposições. Segundo a jornalista, nunca houve resistência das participantes em falar sobre os seus casos de violência e isso ajuda a ressignificar suas jornadas.

“A gente fortalece a possibilidade de ressignificação, de reinvenção, de reconexão com a gente. É um jeito de a gente se reconhecer e poder se ver mulher mais uma vez para além da violência sofrida, não se ver somente vítima. Então, as mulheres que já sofreram violência que participam do projeto e as que já sofreram violência que se encontram com essas mulheres através da exposição relatam isso. É esse lugar de poder ressignificar suas histórias”, conta.

A intenção do projeto é também discutir o que é violência com mulheres. A idealizadora do projeto acredita que a informação, a troca, as histórias contadas, as pesquisas feitas e os relatos de mulheres ajudam a entender o que é a violência, que vai além do que é mostrando em campanhas que combatem os casos, muitas vezes de forma somente física, excluindo violências psicológica e financeira, por exemplo.

A exposição já ocupou a sede da Defensoria Pública do Ceará e o Shopping RioMar Fortaleza. Também foram realizadas ações do projeto na Casa da Mulher Brasileira, no Centro das Rendeiras de Aquiraz, entre outros espaços. Atualmente, o projeto já conta com mais de 40 mil seguidores no Instagram. As exposições contam como peças acessíveis, com fotografias táteis, audiodescrições, interpretação de libras, legendas, além de fotográficas e letras aumentadas e com depoimentos em fones de ouvido.

LEI MARIA DA PENHA

A lei nº 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, vem sendo um importante instrumento no combate à violência contra a mulher. Andressa lembra que a lei deu a possibilidade de denunciar um problema que já era tão frequente na sociedade, mas que ainda existem muitas mulheres que estão em silêncio.

“Nós temos a possibilidade de isso ser tratada como um crime, tal qual é, mas eu acredito que a gente sempre possa melhorar. Porque, de fato, a gente só vai estar satisfeito quando estivermos em segurança com outras mulheres. O tempo todo temos que  pensar como melhorar nos mais diversos aspectos das mais diversas instâncias do processo, tanto jurídico como social, enquanto governo, enquanto iniciativa privada. Como a gente pode se organizar e o que a gente pode fazer, não só para acolher essa mulher vítima de violência, mas para que isso não seja mais uma realidade”, finaliza.