Cinquenta anos de história fazem da Unifor Plástica uma mostra tradicional. Ela foi testemunha, palco e motor das transformações das artes visuais cearenses neste meio século, desde a sua primeira edição. Mas a sua relação com a história vai além deste percurso entre passado e presente; os olhares que reúne têm vocação para o diálogo com o tempo presente e para projetar o que está no horizonte. Vale a máxima do poeta Ezra Pound: “O artista é a antena da raça”.
A abertura da 22ª Unifor Plástica acontece nesta quinta-feira, 17, em evento para convidados. A partir da sexta-feira, 18, a mostra fica aberta ao público, gratuita, no Espaço Cultural Unifor, tradicional equipamento cultural no campus da Universidade de Fortaleza (Unifor). A 22ª Unifor Plástica é patrocinada pelo Banco Safra, por meio das leis de incentivo à cultura.
Com curadoria de Denise Mattar, o salão foi construído a partir do conceito “Afinidades Eletivas: estratégias para um mundo mutante”. Reúne mais de 60 obras de 31 artistas, cearenses, com ligações afetivas ao Ceará ou histórias cruzadas com a Universidade de Fortaleza.
“São conjuntos de trabalhos unidos por muitas afinidades, sem que existam grupos estanques, mas atuações que se interpenetram e se replicam, refletindo a multifacetada ir-realidade do mundo atual”, apresenta a curadora Denise Mattar.
Serão expostas na 22ª Unifor Plástica mídias diversas como pintura, vídeo, instalações, site specific, paisagens sonoras, QrCodes e criações digitais, enaltecendo a pluralidade dos perfis dos 31 artistas selecionados, cujas gerações, influências artísticas e formações são diversas, porém conectadas por afinidades eletivas.
Maíra Ortins, Acidum Project, Henrique Viudez, Beatrice Arraes, Kulumym-açu, Binário Armada, Merremii Karão Jaguaribaras, Lyz Vedra, FluxoMarginal e Gustavo Diógenes são alguns dos artistas e coletivos selecionados para a nova edição da Unifor Plástica.
CINQUENTENÁRIOS
A edição marca outros dois cinquentenários. O ano de 2023 é o jubileu de ouro da Unifor, polo difusor de artes desde sua criação. Marca ainda cinco décadas de carreira artística de José Guedes, um dos pilares da arte contemporânea cearense, com projeção internacional.
Neste ano, a Fundação Edson Queiroz institui o Prêmio Airton Queiroz, concedido a um dos artistas do salão, a partir da escolha de um juri de especialistas. A premiação será entregue na abertura da mostra. O escolhido ganhará passagens aéreas e ajuda de custo de 1 mil euros para vivenciar a Bienal de Veneza 2024.
Na sexta-feira, 18, a curadora da mostra, Denise Mattar, ministra palestra aberta ao público, no Espaço Diálogo, discorrendo sobre os conceitos, a construção do argumento e a relevância do coletivo das obras escolhidas, buscando interlocuções com a cearensidade no seu sentido mais amplo.
Segundo Guedes, a Unifor sempre acompanhou seus passos. A comemoração faz parte deste percurso. O artista apresenta uma instalação, especialmente montada para a Unifor Plástica, em que estão presentes questões recorrentes de sua produção recente, caso da tridimensionalidade, as dobraduras, a conexão com a história das artes e uma reinvenção da cor, sobre sonorização da “Paixão de São Mateus”, de Bach, executada pela Camerata da Unifor.
