Em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo, a exposição “Chico da Silva e o ateliê do Pirambu” é a primeira grande mostra panorâmica do artista apresentada no espaço paulista. Ao todo, são 124 trabalhos produzidos entre 1943 e 1984 expostos para admiração do público até o dia 28 de maio, de quarta a segunda-feira, das 10h às 18h.
A exposição ocupa a principal galeria expositiva da Pinacoteca Luz e convida o público a conhecer o legado do artista que foi um dos responsáveis por transformar o cenário artístico cearense a partir da década de 1940. Além disso, a mostra é a mais abrangente já realizada por uma instituição sobre o artista, reunindo um conjunto de importantes obras da trajetória de Chico da Silva, como Caboclo peruano, parte do singular grupo de desenhos realizados entre 1943 e 1944, emprestados da coleção da Pinacoteca do Ceará.
O ATELIÊ DO PIRAMBU – ESCOLA DO PIRAMBU
Por volta de 1963, Chico passa a trabalhar com auxílio de ajudantes, inicialmente crianças e adolescentes do bairro Pirambu, na periferia de Fortaleza. Enquanto ensinava suas técnicas para os jovens, o artista incorporava sugestões e métodos trazidos por eles. No ateliê do Pirambu, surge uma produção em grande escala feita em parceria e coordenada pelo mestre. Exibidos na segunda sala da exposição na Pina, os painéis representam o auge da manufatura realizada pela escola.
Ao longo dos anos, a oficina criada por Chico foi tratada de forma dúbia pelo próprio artista. Apenas em 1977, em um evento realizado no Salão de Abril, Da Silva assumiu a existência do grupo. Sob coordenação do pintor, outros cinco artistas – Babá (Sebastião Lima da Silva), Chica da Silva (Francisca Silva), Claudionor (José Claudio Nogueira), Garcia (José dos Santos Gomes) e Ivan (Ivan José de Assis) -também integraram o ateliê e, em conjunto, realizaram um grande painel para o evento.
Como forma de dar visibilidade, a mostra da Pinacoteca conta, ainda, com exposições de obras dos cinco artistas supracitados. A ação da obra conjunta também é relembrada na mostra, sendo representada por meio de fotos e um vídeo super-8.
CHICO DA SILVA
Nascido no Acre, Chico da Silva foi criado em Fortaleza, Ceará, onde viveu até a sua morte, em 1985. Com trabalhos consistentes em composições figurativas fabulares, apresentando seres mitológicos e fantásticos, além de personagens preenchidos por pontilhismo, o pintor e desenhista foi um dos principais artistas sem treino artístico do Brasil durante a segunda metade do século XX.
A arte de Da Silva começou com desenhos a carvão e giz sobre muros e paredes de casebres de pescadores por volta de 1937, na capital cearense. Na década de 1940, sob o incentivo do crítico e pintor suíço Jean Pierre Chabloz, o artista iniciou na pintura à guache e, juntamente com Chabloz, Antônio Bandeira e Inimá de Paula, teve seu primeiro trabalho exposto na Galeria Askanasy, no Rio de Janeiro, em 1945.
Entre 1961 e 1963, Da Silva trabalhou no Museu de Arte da UFCE. Além da fundação do Ateliê do Pirambu, Da Silva participou de importantes mostras, como a Bienal de São Paulo em 1967, e teve três trabalhos agraciados com menção honrosa na Bienal de Veneza, em 1966. Depois de permanecer quatro anos internado em um hospital psiquiátrico, volta a pintar em 1981.
