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24 de junho de 2024

Pesquisadores da UFC desenvolvem creme de acerola que ajuda a prevenir câncer

Além da produção do creme, a universidade iniciou parceria com a Fiocruz, para a produção de medicamentos que auxiliem o tratamento de câncer
Foto: Pixabay/Divulgação

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Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) produziram um creme cicatrizante à base de acerola, feito que garantiu mais uma patente à universidade. O composto pode contribuir para a prevenção do câncer, por conta da presença de compostos fenólicos na fruta. A vitamina C, presente na acerola, é um importante fator para a eficácia do creme, pois tal vitamina contribui para o bom funcionamento das células e fortalece o sistema imunológico.

Sua cor vermelha, aliás, é um indicador da presença de compostos fenólicos, os quais possuem um grande potencial anti-inflamatório, antimicrobiano e anticarcinogênico (prevenção ao câncer). Para utilizar essas características do alimento, os pesquisadores da UFC utilizaram a forma liofilizada – desidratada e, posteriormente, congelada – da polpa da fruta na preparação do creme.

PESQUISADORAS

A produção do creme é fruto de tese de doutorado da pesquisadora Neuza Felix Gomes Roxette, à época no Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da UFC (PPG Bioquímica – UFC), com orientação da professora Dirce Fernandes de Melo, aposentada do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFC.

De acordo com a professora Erika Freitas Mota, do Departamento de Biologia (Centro de Ciências) da UFC e coorientadora da pesquisa geradora do creme, “as análises realizadas na polpa liofilizada de acerola revelaram alta atividade antioxidante e elevados teores de vitamina C, carotenoides, polifenóis, especialmente antocianinas e quercetina, além dos minerais cálcio, fósforo e ferro”.

 “O creme de acerola é capaz de acelerar o processo de cicatrização de feridas por atuar de forma eficiente na fase inflamatória e consequentemente na fase proliferativa, com aceleração na formação do colágeno, neovascularização e reepitelização (reparo na pele)”, completou Erika.

A aplicação dos teste foi dividida em quatro grupos de modelos animais com ferimentos cutâneos. O primeiro grupo foi tratado com aplicação tópica de soro fisiológico; o segundo, com o medicamento de referência do mercado; o terceiro foi tratado apenas com a base do creme, antes de homogeneizar os ingredientes ativos da polpa liofilizada; e o quarto, recebeu a aplicação do creme totalmente produzido.

Após aplicação diária do produto durante 21 dias, o quarto grupo, que recebeu o creme totalmente produzido, foi o que apresentou a maior redução da área do ferimento, três vezes menor do que as feridas apresentadas pelos outros grupos

“Uma das vantagens do produto será o preço, que deverá custar de 40% a 50% a menos que os similares. Além de tratar-se de um medicamento fitoterápico, o produto será elaborado exclusivamente a partir de matérias-primas vegetais e ainda se pode ressaltar o fato de aproveitar a biodiversidade e gerar renda no campo”, reforça Erika.

O depósito da patente do creme foi feito em 2011, sendo a carta concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em janeiro deste ano.

PARCERIAS

No dia 22 deste mês, a UFC assinou uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), com o objetivo de promover medicamentos que auxiliem no tratamento do câncer. A produção dos anticorpos será feita pela Bio-Manguinhos em parceria com a Plantform, empresa biofarmacêutica do Canadá. A UFC ficará responsável por validar os anticorpos produzidos, por meio de testes clínicos em animais, a serem realizados no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), vinculado à Faculdade de Medicina.

“Hoje em dia, o SUS e as secretarias de Saúde dos estados têm uma despesa enorme com processos de tratamento judicializados. Com a produção de anticorpos monoclonais no País, vai acontecer como aconteceu com o tratamento de aids e de outras doenças negligenciadas, que o governo patrocina a um custo menor, porque está produzindo aquilo”, afirma o professor Odorico de Moraes, coordenador do NPDM.

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