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21 de julho de 2024

Conta de energia passa a ficar mais cara nesta sexta

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Segundo diretor de regulação da Enel Ceará, Luiz Gazulha, desse total, apenas 5,58% ficam com distribuidora para manutenção do serviço de distribuição e investimentos na rede elétrica do Ceará

Priscila Baima
priscila.baima@opiniaoce.com.br

Tarifa terá impactos em Fortaleza e mais 3 capitais brasileiras (Foto: Natinho Rodrigues)

Mesmo com o fim da bandeira de escassez hídrica de R$ 14,20 por cada 100 quilowatts-hora para todo o Brasil, anunciado pelo Governo Federal no último dia 16, os cearenses não vão poder comemorar: na última terça-feira, 19, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o reajuste tarifário da Enel Distribuição Ceará. O reajuste será, em média, de 24,88%, e passa a vigorar a partir desta sexta-feira, 22.

Segundo o diretor de regulação da Enel Ceará, Luiz Gazulha, desse total, apenas 5,58% ficam com a distribuidora para a manutenção do serviço de distribuição e investimentos na rede elétrica do Estado. “É um processo regular que temos todos os anos. Neste ano, foi aprovado esse reajuste, mas basicamente estamos falando de custos de compra de energia em cargos setoriais. A companhia fica apenas como intermediária do repasse desses recursos”, explica.

Em 2021, a empresa investiu cerca de R$ 1,1 bilhão no Ceará. Nos últimos dois anos, diante da situação crítica da pandemia e dos impactos causados na vida das famílias, a Enel solicitou ao órgão regulador a inclusão de medidas para redução do percentual. Em nota ao OPINIÃO CE, a companhia informou que em 2020 o reajuste foi adiado por três meses e foi criada também a “Conta Covid” para diluir o reajuste nas tarifas para o consumidor.

Já em 2021, a Enel solicitou à Aneel a inclusão de medidas que resultou em uma redução de cerca de 70% do que estava previsto. “Em 2022, esses valores que foram adiados estão sendo repassados na tarifa. O fim da ‘Conta Covid’, de responsabilidade do Governo Federal, o aumento dos encargos setoriais (como, por exemplo, a CDE), a inflação e os custos de aquisição de energia são fatores que estão contribuindo para o aumento do percentual do reajuste deste ano”, informa o texto.

Na avaliação do economista Ricardo Coimbra, o reajuste já era esperado no mês de abril não só no Ceará. “A tarifa de energia no estado do Ceará, assim como nos outros estados, é reajustada sempre no mês de abril. É importante lembrar que a Enel não produz energia, ela compra, seja hidráulica, térmica ou eólica. Ela adquire e distribui para seus clientes. Essa alteração não é apenas para a empresa local, mas em todas as outras do país que também tem o reajuste do preço na data-base de abril”.

Coimbra explica que esse aumento advém de diversos fatores: “a forte elevação da energia ao longo dos últimos anos está relacionada não só à forte elevação do dólar dos últimos meses, mas também à escassez hídrica. A energia mais barata é a das hidrelétricas. Quando se tem essa escassez, há uma diminuição do uso da hidráulica e se é direcionado para as termelétricas, que são mais caras”, pontua.

Na comparação feita pelo diretor de regulação da companhia, de uma conta de R$ 100, por exemplo, apenas cerca de R$ 25,00 são destinados à Enel Distribuição Ceará para operação, expansão, manutenção da rede de energia e para remuneração dos investimentos.

Ainda assim, o valor representa um problema econômico para as famílias cearenses, sobretudo, as de baixa renda. É o que pontua o conselheiro do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida.

“Uma família de baixa renda sente muito quando tem um impacto desse, pois 25% de aumento para essa população compromete o orçamento diretamente. O fim da bandeira de escassez hídrica iria trazer um pouco de alívio na conta dessas famílias, mas infelizmente por conta desse novo aumento pela Enel Ceará, as famílias vão continuar pagando uma energia cara”, explica Almeida.

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