Voltar ao topo

24 de julho de 2024

Conselho proíbe prescrição médica de anabolizante para fins estéticos

Conforme o Conselho Federal de Medicina (CFM), a decisão foi tomada em razão da inexistência da comprovação científica suficiente que sustente o benefício e a segurança do paciente
Foto: Reprodução/Agência Brasil /TV Brasil

Compartilhar:

A prescrição médica de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo, foi proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Conforme a entidade, a decisão foi tomada em razão da inexistência da comprovação científica suficiente que sustente o benefício e a segurança do paciente. A resolução foi publicada nesta terça-feira, 11, no Diário Oficial da União (DOU).

A medida ressalta a inexistência de estudos clínicos randomizados de boa qualidade metodológica que demonstrem a magnitude dos riscos associados à terapia hormonal androgênica em níveis acima dos fisiológicos, tanto em homens quanto em mulheres, além da ausência de comprovação científica de condição clínico-patológica na mulher decorrente de baixos níveis de testosterona ou androgênios.

A nota foi emitida conjuntamente pelas sociedades brasileiras de Endocrinologia e Metabologia, de Medicina do Esporte e do Exercício, de Cardiologia, de Urologia, de Dermatologia, de Geriatria e Gerontologia e pelas federações brasileiras de Gastroenterologia e das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, que cobraram ainda a regulamentação do uso de esteroides anabolizantes e similares para fins estéticos e de performance.

RISCOS

Entre os riscos apontados pelo Conselho Federal de Medicina, estão os problemas cardiovasculares, incluindo hipertrofia cardíaca, hipertensão arterial sistêmica e infarto agudo do miocárdio; aterosclerose; estado de hipercoagulabilidade; aumento da trombogênese e vasoespasmo; doenças hepáticas como hepatite medicamentosa, insuficiência hepática aguda e carcinoma hepatocelular; transtornos mentais e de comportamento, incluindo depressão e dependência; além de distúrbios endócrinos como infertilidade, disfunção erétil e diminuição de libido.

Conforme o CFM, é crescente o número de pessoas que usam esse tipo de medicação de forma ilícita. Inclusive, atletas usam abusivamente o hormônio do crescimento (GH), sejam amadores e profissionais, como droga ergogênica, o que motivou a inclusão dessa substância na lista de anabolizantes da Anvisa e no rol de drogas proibidas no esporte pela Agência Mundial Antidoping.

“Drogas ergogênicas tendem a melhorar o desempenho físico retardando a fadiga, impulsionando o ganho de massa muscular (propriedade anabolizante) e a quebra de gordura (propriedade lipolítica)”, destacou o CFM.

INDICAÇÃO

A prescrição médica de terapias hormonais está indicada em casos de deficiência específica comprovada, conforme a existência de nexo casual entre a deficiência e o quadro clínico, cuja reposição hormonal proporcione benefícios cientificamente comprovados, ficando o médico proibido de prescrever medicamentos com indicação ainda não aceita pela comunidade científica. Continuam vedados o uso de terapias hormonais com o objetivo de retardar, modular ou prevenir o envelhecimento.

A publicação prevê ainda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes como justificada para o tratamento de doenças como hipogonadismo, puberdade tardia, micropênis neonatal e caquexia, podendo ainda ser indicada na terapia hormonal cruzada em transgêneros e, a curto prazo, em mulheres com diagnóstico de desejo sexual hipoativo.

O CFM também define a proibição da prescrição e a divulgação de hormônios anunciados como bioidênticos em formulação nano ou com nomenclaturas de cunho comercial sem a devida comprovação científica de superioridade clínica para a finalidade prevista, assim como de moduladores seletivos do receptor androgênico para qualquer indicação, conforme o entendimento da Anvisa

Por meio da resolução, cursos, eventos e publicidade com o objetivo de estimular o uso ou fazer apologia a possíveis benefícios de terapias androgênicas com finalidades estética, de ganho de massa muscular ou de melhora na performance esportiva, também estão proibidos. 

[ Mais notícias ]