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Com tarifa de 50% dos EUA, agro cearense deve ser mais impactado que o nacional

A tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a todos os produtos brasileiros, deverá ter um impacto, proporcionalmente, maior para o agro cearense do que para o agro nacional.

Ao Opinião CE, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Amílcar Silveira, explicou que, dos quase US$ 500 milhões exportados pelo agro do Ceará em 2024, cerca de um terço foi para os EUA.

“Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e, aqui [no Ceará], nós somos o primeiro”, frisou.

Amílcar disse lamentar a situação e que a imposição das tarifas pode impactar na meta do setor em dobrar as exportações para os próximos cinco anos, passando de US$ 500 milhões para US$ 1 bilhão. “Pegar uma paulada dessa na cabeça é muito ruim para nós”, acrescentou.

O presidente da Faec pregou cautela para que, caso as tarifas se mantenham, o impacto seja avaliado e possam ser estudadas medidas como o fortalecimento das relações com outros parceiros comerciais. “Com essas tarifas aumentando, fica muito inviável que alguns produtos cheguem aos Estados Unidos por conta da concorrência internacional”.

“Vão ter alguns produtos que serão impactados e aí é preciso avaliar com mais calma, saber se tem algum outro local”, avaliou.

“TRUMP MALUCO E LULA INCONSEQUENTE”

O representante do agro cearense cobrou lucidez de Trump e do presidente Lula (PT), para que o cenário seja revertido. As tarifas, conforme o presidente dos EUA, valem a partir de 1° de agosto. Na sequência, Amílcar se posicionou contra a resposta do chefe do Executivo brasileiro.

“Que o presidente da República tenha juízo, porque ele não tem, o Lula. Que ele crie juízo e não vá enfrentar quem quer que seja, porque nós dependemos e precisamos de parceiros importantes como os americanos”, disse. “Que não vá querer enfrentar e nem politizar esse negócio, porque não vale a pena”, acrescentou.

Para Amílcar, Trump é maluco, e Lula, inconsequente. Ele explicou: “Trump não pode, por canetada, retaliar com tarifas. Isso não é salutar. É muito intempestivo”. Já sobre Lula, o presidente da Faec disse que não é razoável “levar o assunto para a política”. “Isso não é política, é economia. São coisas distintas. Não precisa e não pode ser feito dessa forma”, finalizou.