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29 de novembro de 2023

Rádio opinião

Com janela partidária e União Brasil, Pros perde capilaridade no ceará

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Partido deixará de ter representantes nos Legislativos Municipal e Estadual em movimento de fortalecimento do União Brasil, presidido pelo deputado federal licenciado Capitão Wagner

Ingrid Campos
ingrid.campos@opiniaoce.com.br

Vereador é defensor de pautas conservadoras e policialescas (Foto: Reprodução/Facebook)

Segunda maior representação na Câmara Municipal de Fortaleza (CMFOR) e aglomerado da oposição na Casa, o Pros deve perder, ao final da janela partidária, que se encerra em 1º de abril próximo, todos os seus vereadores no Legislativo da Capital neste ano.

Além do fato do líder político do grupo, Capitão Wagner (União Brasil), ter migrado para o União Brasil nesta semana, o que naturalmente faria com que seus aliados seguissem o mesmo caminho, o Pros enfrenta uma instabilidade a nível nacional que incomoda os filiados.

Além do União Brasil, deve receber nomes do antigo partido de Wagner o PL, legenda que acomoda o presidente Jair Bolsonaro. Até agora, Inspetor Alberto e Pedro Matos estão de malas prontas para a sigla do mandatário. O primeiro deve ser o candidato no Ceará do chefe do Planalto ao Senado, em oposição ao postulante Camilo Santana (PT), enquanto o segundo deve tentar as eleições deste ano.

A movimentação de ida de Pedro ao PL, inclusive, repete movimento do pai Raimundo Matos, que deve ser cabeça da chapa única de Bolsonaro na corrida pelo governo do Estado. Sairão do Pros, também, Sargento Reginauro, Márcio Martins, Julierme Sena e Bruno Mesquita – que se licenciou da Câmara Municipal em fevereiro, abrindo espaço para Pedro Matos.

Na ocasião do seu anúncio de afastamento, ele disse que os 120 dias longe da Casa servirão para a escuta dos moradores do bairro Pan-americano e adjacências, sua base eleitoral, a fim de “trazer mais benefícios ao povo daquela região”, e de montagem de um espaço político com “diversas atividades voltadas para o povo.”

Apesar de todos estarem de malas prontas para os dois partidos da oposição mais fortalecidos no Ceará no momento, a saída do Pros ainda depende de autorização do diretório nacional, o que está atrasando a migração. Isto porque o presidente máximo da sigla, Eurípedes Júnior, foi destituído do cargo na semana passada e suspenso do partido por três meses, sob acusação de desvio de recursos dos fundos eleitoral e partidário e lavagem de dinheiro, em imbróglio que se arrasta por dois anos.

Agora, o Pros é comandado por uma comissão provisória liderada por Marcus Vinicius Chaves de Holanda até a próxima convenção nacional, conforme explica o partido em nota. O momento é de instabilidade para a legenda, daí o cuidado ao tratar sobre a migração. “A gente vai só verificar se tem espaço na legislação eleitoral para essa migração agora. Porque não existe janela partidária para vereadores, então a gente está só verificando esses dispositivos”, explicou Sargento Reginauro.

De acordo com o vereador Julierme Sena, alguns colegas já sairão da sigla na próxima semana, aproveitando o movimento de filiação ao União Brasil em evento que ocorrerá na próxima terça-feira, 22. “O União já nasce grande, mas precisamos da anuência da (executiva) nacional, que está vivendo uma instabilidade. Estamos tentando sair amigavelmente do Pros”, disse.

HÁ CAUTELA
Além do Legislativo Municipal, o Estadual perderá representação do Pros: Soldado Noelio e Tony Brito estão de saída para o novo partido comandado por Capitão Wagner. Na Câmara dos Deputados, Vaidon Oliveira também deve deixar o Pros para ir para o União Brasil.

Apesar de toda essa movimentação, o também pré-candidato ao governo do Estado diz que, quando passar esse primeiro momento das filiações, vai começar a estudar em como aumentar sua base de apoio. “Hoje, nós já temos apoio definido do Podemos e uma conversa muito avançada com o PTB, o PSC, o Avante e o próprio Pros, que a gente tá deixando pela porta da frente, já que avisei ao partido que estaria saindo desde agosto do ano passado. Há uma possibilidade remota, ainda, de o Pros estar em uma federação com alguns desses partidos aliados. […] Desde o começo eu tenho falado que queremos formar essa frente ampla de oposição no Ceará.”

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