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Com enfraquecimento do El Niño, CE tem 70% de chances de chuvas na média ou acima até junho

Foto: Natinho Rodrigues

O Ceará apresenta 70% de chances de chuvas na média (40%) ou acima da média (30%) histórica para o trimestre de abril, maio e junho, conforme prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) divulgado nesta segunda-feira (8). Conforme a análise, as condições de El Niño no Pacífico Equatorial ainda têm padrão de anomalias positivas, “porém com menores magnitudes em relação aos meses anteriores, mas ainda assim, indicando a atuação do fenômeno”. Além disso, há 30% de probabilidade para a categoria abaixo da normal no Ceará.

NORMAL

  • Abaixo da normal: 248,3 mm
  • Acima da normal: 388,8 mm

A média do ocumulado para o trimestre em questão já é abaixo do observado em outros períodos do ano. Em abril, de 190 mm; em maio, de 90 mm; e em junho, de 37 mm, quando se trata do Ceará como um todo. Observando, ainda, que chuvas normais neste período devem levar em consideração essa variabilidade”, explica Meiry Sakamoto, meteorologista da Funceme.

 “Outra questão importante desse prognóstico é essa irregularidade na distribuição das chuvas no tempo e no espaço, como já foi apontado desde janeiro para as condições de chuvas para abril e maio, principalmente”, finaliza.

ENFRAQUECIMENTO

Conforme o prognóstico da Funceme para o trimestre abril-junho, os ventos próximos a superfície e em altos níveis apresentam fraca condições de acoplamento entre oceano e atmosfera. Em subsuperfície (entre 0 e 300 m de profundidade), ainda no Oceano Pacífico, são observadas áreas com águas mais frias do que a média, que estão aflorando na parte mais a leste, próximo à costa da América do Sul, o que favorece o enfraquecimento do El Niño – fenômento que vinha sendo apontado, desde o ano passado, como o principal indutor da seca em 2024.

No Atlântico tropical, ainda conforme o documento, as anomalias de temperatura da superfície do mar na região norte e sul estão positivas, o que indica um posicionamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) em torno da normalidade, entretanto com episódios de atividade convectiva sobre o continente nordestino. Os modelos de previsão ainda apontam para uma tendência de alta variabilidade temporal e espacial das chuvas entre os meses de abril e maio, conforme a Funceme.

TRIMESTRE

No primeiro trimestre do ano (janeiro a março), o Estado registrou um desvio positivo de 22.4%. No acumulado do período, foi observada uma média de 523.5 mm para todo o território – sendo 427.6 mm o tido como normal. Em janeiro, o acumulado foi de 59.4 mm, 40.5% abaixo da normal, de 99.8 mm. Em fevereiro, a situação foi mais confortável, precipitando uma média de 230.5 mm em todo o território, o que representou um desvio positivo de 90.1% (121.3 mm é o normal). Já no mês de março, o Estado registrou um desvio positivo de 13.1% (233.6 mm, frente aos 206.5 mm considerados normais para o intervalo).

O bom volume de chuvas causou, ainda, uma boa recarga nos açudes monitorados pela (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos). Conforme o Portal Hidrológico, consultado pelo OPINIÃO CE nesta segunda-feira (8), o Estado soma 51 reservatórios sangrando e um acumulado geral de 49,3% nos 157 açudes monitorados. Outros 15 reservatórios estão acima dos 90%, mas ainda não verteram, e outros 31 têm volume abaixo dos 30%. Em igual período de 2023, o Ceará registrava 61 açudes sangrando, 7 acima dos 90% e 38 abaixo dos 30%. A recarga total, em 8 de abril do ano passado, era de 45,3%.

HISTÓRICO

No último fim de semana, quatro açudes interromperam a marca de mais de uma década sem sangrar: Poço do Barro (Morada Nova), Carmina (Catunda), Caxitoré (Umirim) e Edson Queiroz (Santa Quitéria). Desde julho de 2009 sem ultrapassar seu volume máximo de 52 milhões de m³, o Poço do Barro foi o 5º da sub-bacia do Banabuiú a sangrar em 2024. O equipamento tem importância para a perenização do riacho Livramento, em um trecho de cerca 45 km, e para irrigação e dessedentação animal.

O Carmina (13,1 milhões de m³) também não vertia há 15 anos, sendo da região do Acaraú, que está em situação considerada confortável, com 94,3% de suas reservas hídricas. Na mesma bacia, o Edson Queiroz (254 milhões de m³) sangrou pela última vez em 2011, abastecendo a sede de Santa Quitéria e outros distritos próximos. Já o Caxitoré, na Bacia do Curu, iniciou a sangrar nesta segunda-feira (8) depois de 15 anos, passando do volume total de 202 milhões de m³, atendendo a sede de Umirim e perenizando o rio Curu no segundo semestre.

Outras bacias hidrográficas da região norte do Estado mantém ótimo nível volumétrico, com o Coreaú em 98% e o Litoral com 99,7%.