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Com apenas cinco eleitos em 2024, PDT tem queda brusca dos 67 eleitos em 2020

Sarto teve a gestão avaliada como ruim ou péssima por 77% dos fortalezenses. Foto: Natinho Rodrigues/ Arquivo/ Opinião CE

Se há um partido que saiu derrotado das Eleições Municipais de 2024 no Ceará, este é o PDT. Conforme mostram os dados da Justiça Eleitoral, 24 candidatos concorriam pela sigla no Estado, dado que já mostra o definhamento da legenda que, em 2020, chegou a eleger 67 prefeitos. Neste ano, já com um número de postulantes diminuto em relação à quantidade de gestores que haviam saído vitoriosos nas eleições passadas, o partido conseguiu eleger apenas cinco prefeitos, e em cidades pequenas: Antonina do Norte, Cariré, Farias Brito, Groaíras e Potengi.

Em cidades grandes e importantes – forte impacto no PIB – do Estado, a legenda não teve sucesso. Em Fortaleza, José Sarto foi o primeiro prefeito da história da Capital que não conseguiu se reeleger para um segundo mandato desde que o instrumento é permitido pela Justiça. Ele terminou o primeiro turno com 11,75% dos votos válidos, atrás de André Fernandes (PL), com 40,20%, e de Evandro Leitão (PT), com 34,33%.

Na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), o PDT também disputava em cidades como Maracanaú e São Gonçalo do Amarante, com os deputados estaduais Lucinildo Frota e Cláudio Pinho, respectivamente. Lucinildo finalizou a corrida eleitoral com 11,17% dos votos válidos, mais de 50 pontos percentuais abaixo do prefeito reeleito, Roberto Pessoa (União Brasil). Pinho, ex-prefeito de São Gonçalo, teve um percentual maior do que o de seu correligionário, de 30,40%, mas não o suficiente para bater a reeleição de Professor Marcelão (PT), que teve 67,67%.

RACHA NO PDT

O motivo para a queda no número de prefeitos eleitos é claro: o racha interno dentro do partido. Em 2022, durante a corrida eleitoral para o Governo do Ceará, o PDT lançou a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio. A decisão, a desgosto do PT – partido com o qual o PDT possuía uma aliança histórica -, fez com que alguns pedetistas se posicionassem do lado petista da história. O senador Cid Gomes (hoje, no PSB, mas, à época, no PDT), foi um dos nomes que não concordou com a decisão do partido, já que defendia a reeleição de Izolda Cela (também ex-PDT e hoje no PSB), assim como seus aliados.

Após um ano inteiro de crise interna em 2023, Cid deixou a legenda em fevereiro de 2024, junto a Izolda. A mudança de partido também foi seguida por cerca de 40 prefeitos, que migraram ao PSB junto às lideranças. Parte desses gestores, aliás, se reelegeram pela sigla socialista, o que ajudou a legenda a ter o maior número de eleitos em 2024, com 65.

Na Assembleia, com 13 deputados, o PDT tem quatro parlamentares aliados ao grupo do ex-ministro Ciro Gomes, o deputado federal André Figueiredo, Roberto Cláudio e Sarto. Os outros nove, alinhados a Cid, só não deixaram a legenda ainda pois correm risco de perder o mandato, já que este pertence à legenda. Os deputados cidistas devem deixar o PDT em 2026, quando haverá a janela partidária.