Convido o leitor e a leitora, mesmo já sob os sons e ânimos do carnaval, a dar um passeio por entre palavras mórbidas de Augusto dos Anjos, no poema “Psicologia de um vencido”: “Já o verme – este operário das ruínas –/Que o sangue podre das carnificinas/Come, e à vida em geral declara guerra,/Anda a espreitar meus olhos para roê-los,/E há de deixar-me apenas os cabelos,/Na frialdade inorgânica da terra!”. Os versos do paraibano (1884-1914) me vieram à memória ao ler no noticiário político que, juntos e triunfantes, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o senador Cleiton Gontijo de Azevedo, vulgo “Cleitinho” (Rep-MG), e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciaram que as crianças que não forem vacinadas contra a dengue poderão ser matriculadas pelos pais nas escolas públicas.
Não será exigido das famílias no Estado o cartão de imunização. Trata-se de um crime contra a vida, mas o qual os citados insistem em dizer que é “defesa da liberdade”. Zema, “Cleitinho” e Nikolas, além de boicotar a existência de crianças e adolescentes, tentam inviabilizar uma política pública da área de saúde. Não há, em nenhum dos três, nada de poético. São vermes e assim devem ser tratados pelo cidadão e pela Justiça.
BORRA HUMANA
Estrelinha do bolsonarismo, Nikolas Ferreira tem três realizações que deslumbrados reacionários julgam importantes na carreira política: como vereador, barrou empréstimo de R$ 907 milhões para a Prefeitura de Belo Horizonte investir em saneamento básico e resolver problemas de alagamento por chuvas em parte da cidade; também na Câmara de BH estimulou a filmagem de uma aluna trans num banheiro de escola, a expôs e humilhou publicamente; já na Câmara federal pôs uma peruca loura e, chamando-se de “Nikole”, atacou movimentos de direitos civis LGBTQIA+.
O OUTRO LADO
Do presidente Lula: “Encontrei-me com o diretor da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, e conversamos sobre esforços internacionais para a erradicação de doenças para as quais já existem vacinas, e para fazer remédios mais acessíveis. Além disso, tratamos de medidas necessárias para a prevenção e, se necessário, o enfrentamento de futuras pandemias”.
QUESTÃO DE ENTENDIMENTO
Com a suspeita de relações amorais entre os poderosos chefões da “Operação Lava-Jato” e a ONG Transparência Internacional, de olho em montanha de dinheiro pretendida pelo então procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro, há quem esteja defendendo que a entidade mude de nome: “Transferência Internacional”. Faz sentido.
ALTO BAIXO NÍVEL
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo pesquisou e concluiu: a inadimplência no País chegou no menor nível dos últimos 22 meses. Isso significa não apenas fôlego para as famílias (o que já é muito), mas também alívio para toda a economia. E vale lembrar que, em ano, eleitoral, essa pode ser a chave de muitos êxitos. Quem não aproveitar a maré boa, e ficar repetindo jargões olavistas e guedistas, corre o risco de dar com os burros n’água.
PERDERAM A CHANCE
A Assembleia Legislativa do Ceará tem nove deputadas estaduais – incluindo as duas que estão por um fiozinho de nada para serem cassadas, Silvana Oliveira e Marta Gonçalves. Pois saiba: tramita na casa projeto que propõe a instituição da Política de Incentivo ao Empoderamento da Mulher no âmbito do Estado. E, por ironia do destino, a proposta é assinada por um homem: De Assis Diniz (PT).
FALTOU GPS
Empresário do ensino superior privado, o deputado Oscar Rodrigues (UB) acordou com uma vontade danada de transformar “Súplica Cearense” em “Hino da Música Popular Cearense”. E mandou a assessoria encaminhar projeto na Assembleia. A composição é de um baiano, Gordurinha (Waldeck Artur de Macedo) e do parceiro Nelinho (apelido do autor Manuel Ávila Peixoto, de naturalidade desconhecida). O principal intérprete foi um pernambucano, Luiz Gonzaga. A primeira apresentação foi feita num programa de TV no Rio de Janeiro. A última gravação foi de um grupo carioca, “O Rappa”.
