Você conhece o problema: Com o avanço da tecnologia, passamos mais tempo sem movimento, e o sedentarismo traz uma série de consequências ruins: a saúde física sofre, a circulação piora e ganhamos peso.
A saúde mental também perde quando ficamos muito parados ou só saímos de casa de carro. A falta de movimento ao ar livre e a menor exposição à luz do Sol pioram nosso humor, diminuem nosso otimismo e prejudicam nossa disposição em geral.
Nós nos acomodamos aos poucos e acreditamos que equilibrar vinte e três horas de sedentarismo com uma hora de exercício vigoroso na academia vai ser suficiente. As crianças são mais espertas.
Elas sabem que o movimento do corpo é importante, sempre, e por isso se movem quase o tempo todo. Especialmente na fase da vida em que estão desenvolvendo seus movimentos, até uns quatro anos de idade, as crianças realmente não param quietas. Ainda bem!
Maria Montessori, psiquiatra que estudou o desenvolvimento infantil e antecipou algumas das principais descobertas das neurociências do desenvolvimento, dizia que as crianças até os seis anos de idade passam pelo Período Sensível do Movimento.
Um período sensível é uma época na vida da criança em que ela se dedica de forma intensa a um desenvolvimento específico, espontaneamente. O ápice do período sensível do movimento ocorre até os quatro anos de idade.
Quando uma criança tem uma necessidade muito importante, como o movimento, a satisfação dessa necessidade leva à paz interior, e a não-satisfação tem exatamente o efeito contrário.
Por isso, se você tem filhos até os quatro anos, movimentar-se com eles é a melhor maneira de garantir uma convivência agradável entre vocês, e também é o melhor caminho para que ele seja uma criança tranquila, alegre, e até para que te escute melhor e siga suas orientações.
Para além da necessidade do movimento, a caminhada com nossos filhos oferece vantagens específicas.
Quando caminhamos com crianças, não andamos só para chegar ao destino, mas aproveitamos melhor o caminho em si. Assim, vamos conhecendo um mundo que estava escondido: flores que crescem na calçada, cachorros nas garagens dos vizinhos, sombras agradáveis das árvores que convivem com a cidade, e pequenos estabelecimentos comerciais de bairro que podem nos passar despercebidos no dia a dia.
O ritmo da caminhada com as crianças é diferente, envolve paradas, inclui dar voltas em praças e quarteirões para ver de novo as mesmas coisas, pode ser que você precise correr às vezes, apostando corridas com as crianças, e talvez você se abaixe, se equilibre e pule de vez em quando. Tudo é muito bom, e você vai descobrir rápido como se sente vivo de novo caminhando com seu filho.
Uma dica: Repita os percursos. Vocês podem ir a uma praça brincar um pouco, ou a uma padaria, e também podem resolver coisas do dia a dia juntos, caminhando até o mercado ou até a escola, se a distância permitir. Fazer os mesmos percursos sempre ajuda a criança a conhecer o bairro e a cidade, aprender as regras (como olhar para os dois lados na rua) e desenvolver afeto por árvores, plantas pequenas e animais do caminho.
Converse sem olhar nos olhos
A sensação de olhar nos olhos do outro é relacionada à confiança e a falar a verdade, e pode ser um indicativo de que a outra pessoa está prestando atenção em nossas palavras.
Mas algumas conversas são difíceis de ter olhando nos olhos da outra pessoa e, se as crianças e os adolescentes estiverem tensos, olhar nos olhos pode tornar o diálogo impossível.
Além disso, para algumas crianças neurodivergentes, conversar olhando nos olhos pode ser insuportável. É cruel obrigar a criança a isso. Nós podemos aprender a receber atenção de outras maneiras.
Nas caminhadas com seus filhos, vocês têm chances de ouro de ter conversas importantes. Enquanto caminhamos, uma parte da tensão se desfaz com o movimento, e somos mais livres para expressar nossos sentimentos com o rosto e a voz. Por essas e outras, criar o hábito da caminhada em família pode aprofundar relações de confiança entre pais e filhos.
