Durante uns três anos, Vojvoda foi o personagem principal das minhas crônicas. Quando soube que ele havia abandonado seu estágio em um laboratório e que cursava Medicina na Universidade Nacional de Rosário, fiquei muito curioso e me perguntei quem seria aquele argentino.
Dando umas zapeadas na internet, descobri que tinha sido zagueiro e, depois, técnico do Newell’s Old Boys. Depois, foi convidado para o Defensa y Justicia, onde permaneceu por 25 partidas, até se transferir, em 2019, para o Talleres. Estava no Unión La Calera, no Chile, quando a diretoria do Fortaleza o convidou para ser técnico da equipe tricolor.
Minha curiosidade aumentou quando uma declaração sua o diferenciou da maioria dos técnicos e jogadores que vêm de fora, ao dizer que ia morar na concentração do clube, lá no Pici. Encantados com as belezas do Nordeste, eles querem morar na Beira Mar ou então em um condomínio fechado.
Passei a acompanhá-lo e via e ouvia suas entrevistas. Apreciava a humildade e o bom senso presentes em suas ações. Imediatamente, associei sua figura à de um São Francisco de Assis. Dei asas à imaginação e me divertia ao vê-lo com uma túnica marrom e um passarinho pousado no ombro.
Dirigiu o Fortaleza em 310 partidas. Com o clube, foi bicampeão da Copa do Nordeste, bicampeão cearense, duas vezes quarto lugar no Campeonato Nacional, vice-campeão da Sula e, pelo terceiro ano consecutivo, a participação na Conmebol Libertadores ilustrou o currículo do nosso herói.
Essas conquistas lhe conferem o título de melhor técnico da história do Fortaleza. E foi por conta dele que os tricolores ficaram sem saber o que fazer quando o time começou a perder. Um técnico reconhecido pela mídia esportiva nacional, pretendido por todos os clubes e que se orgulhava de fazer parte do Fortaleza.
E as derrotas se sucediam. Vojvoda só fazia perder. Perdeu o Campeonato Cearense, a Copa do Brasil e a Copa do Nordeste e, no Brasileirão, está na zona de rebaixamento para a segunda divisão. Nodge Nogueira, do Com a Bola Toda, da TVC, me informa que, neste ano, foram 38 jogos: 16 derrotas, 12 vitórias e 10 empates.
Assistir a uma entrevista coletiva de Vojvoda tornou-se um tormento. O efeito catalisador da derrota expunha os sentimentos de amor, de ódio, de medo, de bravura, de solidariedade, de piedade, de solidão e de morte. Os tricolores não resistiram à derrota para o Ceará. Ontem, Juan Pablo Vojvoda foi demitido.
Vida que segue…
