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Uma visita indesejada

Não sei se pelas duas tacinhas do vinho branco frisante tomado na véspera ou por conta do cheiro de queimado que invadiu o quarto pelo segundo ventilador que chegou com defeito em uma compra online, eu passei um domingo inteiro de cama, com enxaqueca.

Também pode ter sido a doença do gato Listrado, que não é meu, mas é como se fosse. Fiquei preocupada e tive pesadelos com o bichano morto, Deus me livre disso. Espero que viva muitos anos para miar na minha porta, trazendo seu jeitinho de gato dorminhoco para os cantos das paredes.

Detesto perder a folga com dor. Poderia ter assistido algo, feito exercícios, lido mais. Mas sempre essa dor de um lado da cabeça escolhe um dia mensal para me derrubar. Em algumas vezes, chego a vomitar. Ainda bem que dessa vez não foi assim. É outra coisa terrível para mim.

A dor enjoada, acompanhada com a sensibilidade à luz e enjôo me acompanha há mais de 20 anos. Durante as duas gestações, as crises mensais passaram a ser diárias. Vivia com um remédio na bolsa e em muitos dias precisei tomar medicação intravenosa.

Quando ela chega, eu já aprendi. Preciso ceder espaço para descansar. Tomar um banho, molhar os cabelos, deitar de bruços e pressionar com um pano a testa pulsante.

Depois que ela vai embora, deixa um gosto estranho na boca e um leve vazio na boca do estômago. O zumbido no ouvido fica por um ou dois dias.

Para mandar embora o mal estar que a crise de enxaqueca deixa, tomo um chá de camomila e peço ao anjo da guarda que vele meu sono de forma especial. Nada de pesadelos com o gato do meu bem-querer.

Mesmo amanhecendo sem o incômodo, a tarde e a sua luz intensa já fizeram o nosso reencontro dar certo. Eu e a enxaqueca, essa metida. Colocar uma vassoura atrás da porta será se manda embora essa visita indesejada? Bem que eu queria que bastasse isso para aliviar essa dor chata. Quem sabe mais uns copos de água? Ou melhor apelar logo para o analgésico? Acho que vou escolher a segunda opção.