Wilton Bezerra, nosso comentarista com C maiúsculo, levantou outro dia no comando do programa “Com a Bola Toda” da TVC, uma série de perguntas sobre a importância dos campeonatos estaduais no dia a dia do torcedor e no desenvolvimento do futebol.
Boa ideia! O futebol no Brasil, além de ser um grande momento de afirmação humana, está presente em cada metro quadrado dos oito milhões de quilômetros quadrados que compõem nossa superfície territorial. Envolve negros, brancos, indígenas e quem quiser vir junto.
O saudoso colunista Alan Neto justificava sua paixão pelo estadual citando uma poesia: “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
Alberto Caeiro, um dos heterônimos utilizados pelo poeta português Fernando Pessoa, autor do poema, era dono de uma linguagem simplista que encontrava nas coisas do dia a dia um profundo significado e seus versos valorizavam naturalmente as coisas que o cercavam.
O país necessita desses espíritos para contrapor esse modelo elitista, autoritário e centralizador determinado pelos nossos colonizadores. A Confederação Brasileira de Futebol é um exemplo. A CBF é uma entidade privada que decide o que fazer com a nossa maior paixão.
O Ranking Nacional de Clubes, publicado pela CBF em 13 de dezembro de 2024, ordena 283 clubes, o que faz entender que das centenas de clubes registrados na entidade apenas os que disputam as competições promovidas pela Confederação são classificados pelo ranking.
O prazo dado pela CBF para as federações realizarem seus campeonatos estaduais não passa de quatro meses. Embora as federações promovam uma ou outra competição, a maioria dos clubes brasileiros registrados na CBF fica sem atividades oficiais durante a maior parte do ano.
Ao invés de estimular a cadeia produtiva do futebol na formação de atletas, técnicos, preparadores físicos, nutricionistas, psicólogos, administradores, marketing, finanças, as entidades esportivas dão um tiro nos próprios pés, acabando com os campeonatos estaduais.
